sexta-feira, 1 de junho de 2012

Notícias 1-6-2012: Ao menos há desemprego que chegue para todos




PORTUGAL:

Desemprego continua a galopar, com a taxa oficial nos 15.2% (a real será bastante mais elevada, de cerca de 22%) e o entre os jovens de 36.6% segundo o Eurostat. Até Gaspar admite que vai piorar. Governo anuncia cortes na TSU para empresas que contratem jovens a baixos salários, medida que será suportada por fundos comunitários do QREN.

O desemprego estrutural (o desemprego que existe mesmo que uma economia esteja a funcionar no seu máximo potencial) também duplicou nas últimas duas décadas de 5.5% para 11.5%.

Restauração perdeu 16 mil postos de trabalho e 15% do negócio desde a subida do IVA para 23%, sendo que a receita do Estado subiu 140 milhões de euros.

Receita dos impostos indirectos caiu mais do que o relatado pelo governo (6.8% em vez de 3.5%), anunciou a UTAO.

Bananização da República: Mais 35 mega-agrupamentos para as escolas para além dos 115 iniciais.

No pântano: Fátima Felgueiras e todos os outros arguidos foram absolvidos.


IRLANDA:

Irlanda vota SIM ao tratado de austeridade europeu, prolongando a veia masoquista irlandesa.


FRANÇA:

Desemprego num pico de 12 anos de 10%.


ALEMANHA:

Enquanto a Alemanha num mínimo de 12 anos (6.7%).


INDIA & CHINA:

Produção em queda nas duas nações devido à falta de procura, com os problemas da China a serem agravados pelo rebentar da bolha imobiliária/dívida.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Notícias 31-5-2012: Despejo de São Lázaro

São Lázaro é desocupado

























PORTUGAL:

Ocupas de São Lázaro são expulsos da casa, em violação de providência cautelar do tribunal. Em protesto, invadem instalações da CML, especificamente o gabinete de Helena Roseta.

Fitch diz que banca vai precisar de mais 6 mil milhões de euros do Estado ainda este ano.

No pântano: Relatório do Tribunal de Contas diz que governo Sócrates não só não defendeu o interesse público nas PPPs, como escondeu negociações e pagamentos do escrutínio do Tribunal no valor de 705 milhões. Texto da auditoria pode ser visto aqui.

Relvas afinal sempre se encontrou com Silva Carvalho. Mas não como ministro (até ver...).


EUROPA:

Plano alemão de pseudo-eurobonds para enfrentar a crise da dívida está em discussão. Este veria o ouro e tesouros nacionais dos vários países usados como garantia para o financiamento comum a juros baixos. "O plano separaria as dívidas dos estados membros em duas componentes: soberana e não soberana. Tudo o que estiver acima do limite de endividamento de 60% imposto pelo Tratado de Maastricht seria considerado dívida soberana. A restante parcela de 40% ou mais seria gradualmente transferida para o “fundo de redenção” que seria suportado por obrigações europeias comuns."


INTERNACIONAL:

Capital a fugir para o dólar e Alemanha devido à crise do euro.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Notícias 30-5-2012: Mais um tropeção para a Espanha




PORTUGAL:

Comissão do Mercado de Valores Mobiliários faz queixa ao Ministério Público da manipulação da dívida portuguesa por "autores que tinham interesse na desvalorização da dívida pública" e que publicam num órgão de imprensa internacional.

PS vai votar contra a nova lei do arrendamento.

Aumento da esperança média de vida leva a um corte de 3.92% nas pensões, de acordo com as alterações de Sócrates para assegurar a "sustentabilidade" da Segurança Social.

Troika acha que duração do subsídio de desemprego ainda é longa demais, quer vê-la reduzida para 18 meses no máximo, apesar do aumento do desemprego.


ESPANHA:

Comissão Europeia muda de ideias e dá mais um ano a Espanha para corrigir o défice, após se tornar óbvio que seria impossível atingir os 3% este ano.

Entretanto, o BCE recusou o plano espanhol de usar dívida soberana para recapitalizar o Bankia (que a usaria como colateral para pedir dinheiro ao BCE) por este violar os regulamentos que proíbem os bancos centrais de financiar directamente os Estados. Espanha irá agora recorrer aos mercados para encontrar o dinheiro que falta, o que irá agravar ainda mais a situação dos seus juros de dívida.

Há mais bancos espanhóis que vão ser fundidos numa única entidade para supostamente os deixar em melhores condições com a consolidação... o que era a mesma lógica que foi usada para o Bankia, que não resultou lá muito bem...


INTERNACIONAL:

Julian Assange da WikiLeaks perdeu o caso da extradição para a Suécia.

Japão e China vão começar a trocar directamente nas suas respectivas moedas.

Conversas com Yorgos Mitralias


Entre 1 e 5 de Junho, em Lisboa, Coimbra, Porto e Barreiro
Conversas com Yorgos Mitralias sobre a dívida pública, a Europa, austeridade e saídas para a crise. Semelhanças e diferenças dos casos português e grego.

Com a participação de Yorgos Mitralias (activista e membro fundador do CADTM-Grécia), Vítor Lima (economista) e António Pedro Dores (sociólogo, ISCTE). Organizado pela Tertúlia da Liberdade e pelo Museu da República e Resistência.

Yorgos Mitralias, agora aposentado, trabalhou como jornalista no Courrier Financier em Atenas e na televisão pública grega (ERT). Yorgos é activista há 44 anos (desde Maio de 68). Nos últimos 15 anos tem trabalhado, de forma muito activa, no movimento Marchas Europeias e no movimento altermundialista (Fórum Social grego e europeu). Foi um dos fundadores da Coligação de Esquerda Radical (SYRIZA). É membro fundador do Comité grego contra a Dívida, da Campanha para uma Auditoria da Dívida Pública Grega e é um dos coordenadores europeus do CADTM.

Lisboa – 01/06/2012 – 18:30
Museu da República e Resistência
Estrada de Benfica, 419 (metro Alto dos Moinhos) – Lisboa

Coimbra – 2/06/2012 – 16:00
Teatro da Cerca de São Bernardo
Rua Pedro Nunes – Coimbra

Porto – 3/06/2012 – 18:30
Duas de Letra (www.duasdeletra.pt)
Passeio de S. Lázaro 48 – Porto

Barreiro – 4/06/2012 – 21:00
Cooperativa de Cultura Popular do Barreiro
Rua Miguel Bombarda, 64 – Barreiro

Lisboa – 5/06/2012 – 18:00
RDA – Regueirão dos Anjos, 69 (metro Anjos) – Lisboa

A Grécia passa melhor sem a simpatia da sra. Lagarde e do FMI

Fujam, que vem aí a simpatia da sra. Christine Lagarde, directora do FMI.
por Nick Dearden

A Grécia passa bem sem a «simpatia» demonstrada pelo FMI ao Níger, onde o custo dos seus empréstimos irresponsáveis é pago pelos cidadãos em dólares, miséria e sucessivas vagas de fome.

(...) As dívidas do Níger continuam a aumentar de 960 milhões de dólares, quando começou o ajustamento estrutural, para 1,8 mil milhões de dólares em 1990, e, depois de uma pequena queda, o montante voltou a subir para 2,1 mil milhões de dólares em 2003. Mais dívida significa mais controle por parte do FMI, que significa mais austeridade e mais reformas.

Ler aqui: http://cadpp.org/node/310

terça-feira, 29 de maio de 2012

Notícias 29-5-2012: Grécia e Espanha a liderar o contágio




PORTUGAL:

Teme-se que milhares de professores fiquem no desemprego no próximo ano curricular.

Banco de Portugal diz que três dos quatro maiores bancos portugueses vão recorrer aos fundos da troika, provavelmente BPI, BCP e BES.

Crianças portuguesas são das mais carenciadas da OCDE, bem pior que crianças em países com níveis de riqueza semelhante, devendo à falta de apoio social.

Hospitais exigem perdões de dívida por parte dos laboratórios farmacêuticos para pagarem as dívidas.

Bananização da República: Novo modelo de normalização dos preços da água implicará aumentos de 760% em algumas zonas. Para quem conhece o modo de funcionamento do neoliberalismo, o objectivo deste modelo normalizado é claro: criar um mercado homogéneo para a privatização.

No pântano: Avelino de Jesus, que se demitiu no ano passado da comissão de reavaliação das PPPs por falta de disponibilidade de informação do ministério, diz que renegociação das PPPs poderá ser um descalabro de derrapagens, devido à natureza "aberta" dos contractos.
Conselho de redacção do Público demite-se e o jornal pede a abertura da instrução do processo das secretas, com a inclusão de alguns arguidos que o Ministério Público deixou de fora.


ESPANHA:

Valor da dívida a 10 anos aproxima-se do pico da crise do ano passado, perto do valor crítico de 7% quando um empréstimo de resgate se torna uma quase certeza.


GRÉCIA:

A estratégia de chantagem dos gregos com cenários de fim do mundo caso se atrevam a ir contra a austeridade poderá estar a dar resultado (se confiarmos nas sondagens): Nova Democracia ganha terreno em relação ao Syriza.

Entretanto, as condições no terreno continuam a piorar com a instabilidade. Para além da fuga de capital para fora da Grécia, os pagamentos dentro da economia estão a ser congelados: no sector público porque o governo teme ficar sem fundos, no privado porque as empresas antecipam pagar mais barato se o dracma regressar.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Irlanda - Não ao tratado de austeridade!

A mesma estratégia de chantagem que está a ser aplicada à Grécia, também se sente na Irlanda de forma menos visível nas notícias. No CADPP.org, de Rui Viana Pereira:

"O principal argumento a favor do Sim tem sido a ameaça de que, se os Irlandeses não votarem Sim no próximo referendo, o Governo não poderá obter o chamado «segundo resgate», devido a uma cláusula de chantagem no tratado do Mecanismo Eurpeu de Estabilidade (MEE). [Esse mesmo que os parlamentos português e grego foram os primeiros a aprovar pressurosamente, às escondidas, sem consulta popular.] Trata-se de chantagem pura e simples."

Notícias 28-5-2012: A torneira nunca fecha para os bancos

Nem um aviso de tornado desmotiva Montreal













 
PORTUGAL:

Lei dos compromissos coloca autarquias em pé de guerra com o governo, visto que as impossibilita de pagar as contas. Acusam o governo de transferir sucessivamente responsabilidades orçamentais para as autarquias ao mesmo tempo que lhes cortam o orçamento. Governo disponibiliza mil milhões de euros para as câmaras fazerem frente às dívidas de curto prazo.

Na luta: Activistas do Movimento Sem Emprego voltaram ao centro de emprego onde foram previamente acusados de manifestação ilegal. A polícia compareceu, mas perante as mesmas circunstâncias do passado, disseram ser tudo legal.
Trabalhadores da RTP colocam administração em tribunal, acusando-a de desmantelar a empresa e de quebras sucessivas de promessas. Em paralelo com as queixas dos trabalhadores quanto ao processo de transferência para TDT, a Câmara da Sardoal envia protesto à Anacom devido à péssima qualidade do serviço.
Maquinistas da CP vão continuar a luta pelos pagamentos em atraso com greve ao trabalho extraordinário e feriados durante Junho.

No pântano: Objectivo de longo prazo de Silva Carvalho era obter um posto governamental.


ESPANHA:

Resgate do Bankia vai ser feito através da transferência de dívida pública espanhola, que o banco irá depois usar como colateral para contrair empréstimos junto do BCE. Os bancos espanhóis já possuem 140 mil milhões em dívida pública, aumentando assim ainda mais a interconectividade entre a má dívida pública e privada dos bancos.


GRÉCIA:

18 mil milhões de euros foram entregues aos quatro principais bancos provenientes do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.

domingo, 27 de maio de 2012

Notícias da Grécia: Dramaturgia clássica


A BBC revela como os hospitais gregos exigem o pagamento de 1200 euros por uma cesariana e ameaçam ficar com o bebé se a mãe não pagar. Só quem trabalha ou não tem dívidas é que tem direito a saúde gratuita (também no Jornal de Notícias).

A chefe do FMI mostra o cinismo à Lagardere, dizendo que «os pais das crianças gregas "têm de pagar os seus impostos"», numa demonstração extraordinária da demagogia que nos píncaros da Europa usam para justificar a chacina dos PIGS.

O Syriza declara: “Os comentários de Lagarde revelam o cinismo e o verdadeiro papel do FMI, que é responsável pela destruição de sociedades inteiras".

Contudo, depois da sua página de facebook ter sido bombardeada com comentários negativos de gregos enfurecidos, a espachim Lagarde recuou e disse que quando falara de evasão fiscal se referia aos "mais privilegiados". Não fica explicado se também reconsiderou o que disse acerca das crianças esfaimadas. Mas Venizelos, o chefe do PASOK, aproveitou logo a deixa para se indignar com a humilhação e o insulto aos gregos.

Entretanto a BBC publica um breviário - Eurocrisis explained - uma Bíblia para os comentadores - sobre a inevitável saída do Euro em consequência das eleições, ganhem uns ou ganhem outros, é só uma questão de tempo...

Na Grécia, continua a dura campanha eleitoral contra o Syriza, fazendo eco da inútil discussão nos media e nos poderes europeus sobre a saída do Euro, que não é mais do que ruído tentando abafar os factos e as declarações de Syrisa que defendem a permanência na moeda única.

Samaras, o líder na Nova Democracia, acusa então Tsipras de servir o lobby pro-dracma, que descreve como uma teia de interesses, incluindo aqueles que puseram o dinheiro fora do país e estão à espera que venha o dracma para poderem comprar a Grécia em saldo e tornarem-se oligarcas; "são esses que o Syriza serve".

Por outro lado, o mesmo Samaras inicia uma campanha em que promete suspender cortes no valor de 11 mil milhões... e renegociar com a Europa o pagamento devido...

E continua a guerra das sondagens: umas dão vitória à ND, outras ao Syriza.


Revistas de imprensa aqui: Sexta, Press Watch, May 25; Sábado, Press Watch, May 26

sábado, 26 de maio de 2012

Notícias 26-5-2012: A corda estica mais um bocado

De Mr. Fish


PORTUGAL:

Instituições de solidariedade alimentar dizem ter chegado aos limites físicos da mão de obra disponível para ajudar quem precisa.

200.000 famílias em esforço crítico para pagar dívidas (especialmente entre os mais pobres), quando o cancelamento destas dívidas nem sequer teria impacto relevante na banca (13% dos 40% de famílias endividadas).

Bombeiros de Lisboa deixam de transportar doentes não urgentes devido a insuficiência económica.

Centros de emprego, ao abrigo da medida Estímulo 2012 (em que as empresas apenas precisam de pagar metade do salário durante seis meses, sendo o restante coberto pelo Estado), estão a oferecer trabalho a licenciados altamente qualificados por 500€.

A luta: Sargentos marcam concentrações de desagrado a 5 de Junho em todo o país devido ao governo "não demonstrar respeito por quem serve a República" e para protestar medidas como a redução do suplemento de morte (que é agora de apenas 419€).

No pântano: Comadres zangam-se, Pinto Balsemão vai processar alguém por ter sido espiado às ordens de Silva Carvalho.

Vereador das Finanças do Funchal vai passar a dividir o seu tempo entre o gabinete público e o privado na administração do grupo Sá. A porta giratória está cada vez mais versátil.


ESPANHA:

Catalunha está em vias de pedir também ajuda.


EUROPA:

Novo plano que reformula a abordagem a bancos falhados está a ser preparada pela UE para inícios de Junho, embora os detalhes ainda sejam escassos. Supostamente, os reguladores irão ganhar o poder de eliminar depósitos e dívidas sem garantias, substituir as chefias e reestruturar os bens do banco.

A auditoria cidadã à dívida no centro da luta de classes grega e internacional

Por Sonia Mitralias



(...) Se bem que a sequência dos acontecimentos seja imprevisível, uma coisa agora é certa: a questão da auditoria independente à dívida grega paira sobre os acontecimentos em torno da luta de classes na Grécia, traçando uma linha de demarcação entre aqueles que são a favor e os que são contra as políticas de austeridade e entre aqueles são a favor e os que são contra o cumprimento dos vários compromissos assumidos entre a Troika, o FMI e os responsáveis pelo Estado grego. Não é por acaso que as formações de direita e de extrema direita, que partilham a rejeição dos planos de austeridade (mesmo os neonazis!), se declaram favoráveis à auditoria cidadã, chegando mesmo a falar de dívida ilegítima e odiosa ou a citar longamente o CADTM e Eric Toussaint!

Esta situação pode ser compreendida se tivermos em conta que, de acordo com uma sondagem feita no Verão passado, mais de 3 milhões de gregos (cerca de 30% da população grega) não só são favoráveis à auditoria cidadã à dívida pública, como dizem partilhar a «filosofia» e os objectivos da Campanha para a Realização de uma Comissão de Auditoria!

(...) Infelizmente, este estímulo não foi aproveitado pela campanha de auditoria e perdeu-se uma grande oportunidade de levar a cabo uma iniciativa exemplar de auto-organização e mobilização da população. Houve um movimento de refluxo e as consequências para a campanha de auditoria foram muito negativas. Sem os voluntários «anónimos» que poderiam ajudar a contornar problemas (por exemplo, voluntários que trabalhavam em ministérios que não só sabiam dos «negócios» em primeira mão, como também poderiam procurar documentos para assacar responsabilidades), a auditoria grega foi forçada a retrair-se sem nunca poder honrar as suas promessas iniciais.

Para nós, a lição a tirar da experiência grega é muito clara: se se quiser cumprir a missão libertadora de pôr em movimento a população auto-organizada, a auditoria cidadã à dívida não pode ser um assunto para especialistas nem limitar-se a um controlo de topo (na verdade, praticamente impossível) da dívida pública. Ela tem, desde início, de associar a população ao seu trabalho, incentivando as pessoas a porem em prática as suas próprias auditorias, ou seja, a «abrirem os livros» nos locais onde habitam e trabalham, comunicam e vivem. (...)

Excertos do texto integral aqui: http://cadpp.org/node/306

Manifestação de solidariedade com a Grécia


Sindicalistas concentrados frente às Finanças depois de tentarem invadir ministério
Por Beatriz Silva com Lusa, publicado em 25 Maio 2012 - 17:48
Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa marca manifestação no dia em que a Grécia vai às urnas
(...) As medidas de austeridade associadas à crise económica e financeira têm levando milhares de pessoas à rua para manifestarem o seu desagrado. Na Grécia, vários confrontos têm marcado a capital do país, levando muitos ao suicídio. Aliás, à medida que as eleições legislativas gregas se aproximam e aumenta a possibilidade de ser eleito um governo de esquerda, é natural que assistamos à intensificação de ataques violentos por parte dos poderes públicos e das organizações de extrema-direita.
Por essa razão, o Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa (CADPP) tem agendado para dia 17 de Junho – dia em que o povo grego vai às urnas - uma manifestação, mostrando a “nossa convicção de que Portugal e a Grécia estão irmanados no mesmo tipo de problemas, no que diz respeito à política de austeridade e endividamento”, lê-se num comunicado.
“Consideramos que em Portugal, na Grécia, e de resto em toda a Europa, os problemas que afligem as populações têm raízes comuns – devem por isso ter soluções comuns e solidárias”.
Texto-manifesto aqui: Portugal e Grécia – os mesmos problemas, a mesma luta, a mesma solução

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Notícias 25-5-2012: Pequenas vitórias, maiores batalhas a vir



















PORTUGAL:

Troika pede mais flexibilidade salarial para resolver o desemprego...

Mais detalhes sobre as ideias do PSD para ajudar quem não consegue pagar o empréstimo da casa.

Administração do Metro do Porto demite-se, alegando indecisão quanto ao futuro da empresa por parte do governo.

Os produtores que alimentam o Pingo Doce já estão a ser pressionados para pagar a factura das promoções extravagantes, com tentativas de aumentar margens de lucro entre 2 a 3.5% por parte da cadeia de supermercados.

A luta: Sindicalistas da Frente Comum reuniram-se em frente ao Ministério das Finanças (que ainda tentaram invadir) em protesto contra o corte de direitos e subsídios e pela reabertura das negociações. É feita uma menção ao protesto do CADPP em solidariedade com a Grécia (dia 17 de Junho).
Entretanto,  espera-se que trabalhadores de câmaras municipais que tiveram de devolver valorizações salariais de promoções de 2009 e 2010 ganhem os processos em tribunal, como já sucedeu em alguns casos.
O Tribunal Administrativo e Fiscal declarou inconstitucional a interrupção da contagem de tempo de serviço que impediu a progressão de carreira dos professores.
CP continua em greve para fazer valer o pagamento do trabalho em dias de descanso e feriados por inteiro.

Bananização da República: Termina a aquisição de 40% da REN por companhias chinesas e omãs. Na segunda metade do ano passado, Portugal foi o terceiro país da UE com maior aumento do custo da electricidade (12.9%).

No pântano: Público revela a narrativa completa das pressões de Miguel Relvas ao jornal e adjunto do ministro demite-se depois de terem sido descobertos contactos via telemóvel entre este e Jorge Silva Carvalho.
As recentes fugas de nomes para a imprensa de personalidades envolvidas na Operação Monte Branco são apontadas pelos investigadores como uma forma de avisar os visados para destruírem provas.


ESPANHA:

É confirmado um pedido de ajuda estatal de 19 mil milhões de euros por parte do Bankia e a S&P corta-lhe o rating (e a outros dois bancos).


ALEMANHA:

Alemanha prepara plano de seis pontos para os países da zona euro em dificuldades que envolve transformar essas nações em pequenas repúblicas das bananas, fazendo-as imitar o sistema laboral alemão "flexível", aumentando as privatizações, mercantilizando ainda mais o ensino e adoptando um sistema de impostos à paraíso fiscal.


EUROPA:

Os indicadores de compras de bens e serviços da indústria europeia continuam a cair de cabeça, incluindo os da Alemanha (se bem que mais lentamente), espelhando o término das medidas de curto prazo de apoio à economia e a continuação do impasse político. Agarrem-se bem.

Na Grécia, o povo é quem mais ordena


Carta aberta aos Presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional

Nas eleições de 6 de Maio o povo grego exprimiu democraticamente a sua vontade, manifestando a sua oposição às condições impostas pelo programa de assistência financeira. Essas condições lançaram os gregos no desespero e na miséria. Pela sua brutalidade, as medidas do programa estão a dilacerar a sociedade grega, provocando rupturas incompatíveis com uma recuperação social e económica que salvaguardem padrões de vida aceitáveis para a dignidade de todo o povo.

Dracma ou euro? (1)



Costas Lapavitsas é um dos economistas que defende a saída da Grécia da união monetária europeia. Um debate que promete tornar-se crucial nos próximos tempos.

O melhor para a Grécia é sair do euro
por Costas Lapavitsas

A política grega encontra-se dividida em dois campos na próxima disputa eleitoral. Um é liderado pelo partido de direita Nova Democracia, o outro pela coligação de esquerda Syriza. Ambos insistem em que a Grécia deve permanecer na euro-zona; mas a Nova Democracia aceita o programa de resgate financeiro, ao passo que o Syriza o rejeita. No entanto a dura realidade impõe-se por si mesma. Se a Grécia permanecer na euro-zona, sofrerá uma morte lenta. Se sair, passará por uma crise, mas em compensação terá oportunidade de recuperar e reorganizar a sua sociedade.

Ler continuação aqui: http://cadpp.org/node/301

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Notícias 24-5-2012: A recuperação está aí à esquina...





PORTUGAL:

"Daqui a alguns meses" a economia vai recuperar, supostamente, depois dos números do último boletim de execução orçamental revelarem novo agravar das contas, diminuição da receita e agravar da despesa.

Preço da água vai ser normalizado em todo o país. Preço-alvo é 2.5€ a 3€ por metro cúbico.

A Orquestra Metropolitana de Lisboa dá um concerto público em protesto contra o despedimento de sete dos seus músicos - todos eles dirigentes sindicais e membros da comissão de trabalhadores.

PSD junta-se ao coro da reestruturação da dívida das famílias "a dação em pagamento da casa (entrega da casa e assim liquidar as dívidas), a possibilidade da entrega da casa a um Fundo de Investimento, ficando o devedor com o arrendamento e direito de recompra da casa ou troca de casas com o banco ficando a família com uma casa de menor valor."

Bananização da República: CGD Saúde está à venda, abrindo o caminho para a criação dum duopólio no sector privado da saúde entre o grupo Mello e Espírito Santo.

No pântano: juntam-se novos nomes ao processo de branqueamento de capitais da empresa Akoya.


ESPANHA:

Regiões autónomas vão precisar de 36 mil milhões para refinanciarem a dívida (o número anterior era 8), revelam novos dados.


GRÉCIA:

Presidente do Banco Central acha que o caminho de salvação da Grécia não passa pela Europa mas pelas... privatizações.


EUROPA:

Eurodeputados aprovam plano de combate ao desemprego jovem, verba futura poderá ser de 82 mil milhões.


CANADÁ:

700 detenções nos protestos no Quebec.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Bluff e chantagem

  

Verificamos em poucos dias uma viragem dos poderosos da Europa, já arrepiam caminho e aí vem o Hollande «negar planos de contingência para a eventual saída da Grécia do euro» e aí vem a Lagarde «defender que a União Europeia prolongue a ajuda financeira à Grécia, mesmo que os gregos optem por rejeitar o memorando, nas próximas legislativas de 17 de Junho».

Afinal, a falsa questão da saída da Grécia da zona euro era mesmo só bluff, uma chantagem populista para amedrontar os eleitores gregos e virar a opinião pública contra a Grécia. Recuperar a soberania e rejeitar o programa de austeridade da Troika não implicam abandonar a moeda única nem a ruína da Europa.

Assim, dão razão a Alexis Tsipras do Syriza quando afirma: «Votar na Coligação da Esquerda Radical é salvar a moeda única. Insistir na austeridade na Grécia significa regressar ao dracma.»

Mas já inventam um outro papão: o geuro. O Deutsche Bank «propôs hoje a introdução de uma moeda paralela ao euro na Grécia, caso os adversários das medidas de austeridade ganhem as eleições...»

Comentário: Vice-presidente da ONU chama os bois pelos nomes

Jean Ziegler, numa tirada incomum nos seus corredores do poder, falou com força e honestidade sobre os problemas que o mundo enfrenta:

"Vivimos en un orden mundial criminal y caníbal, donde las pequeñas oligarquías del capital financiero deciden de forma legal quién va a morir de hambre y quién no. Por tanto, estos especuladores financieros deben ser juzgados y condenados, reeditando una especie de Tribunal de Núremberg"

De facto, o que é que diferencia um assassino em massa que mata com especulação daquele que o faz com um exército? Entre palavras de apoio aos movimentos sociais globais, também deixou estas palavras sobre a instituição desdentada em que a ONU se transformou:

"Sin embargo, “los mercenarios han pervertido su papel y destruido su credibilidad moral”. Entre ellos, no duda en señalar al exsecretario general Ban Ki-moon o al presidente del consejo de selección de los relatores, el hondureño Roberto Flores, “quien apoyó el golpe de Estado en su país en 2009”."

 

Portugal e Grécia – os mesmos problemas, a mesma luta, a mesma solução

Notícias 23-5-2012: Terreno a ser preparado

Protestos no Quebec continuam em força.

























PORTUGAL:

Número de casais em que ambos estão desempregados atinge máximos históricos (5.1%, 15.754 pessoas).

Governo procura negociar corte de 30% nos pagamentos às ex-SCUT, resultando na poupança de 4 mil milhões de euros. Encargos com PPPs subiram 324 milhões no primeiro trimestre deste ano em comparação com o ano passado.

EDP quer reduzir 35 milhões em custos laborais ainda este ano, o que significa despedimentos e redução salarial para os trabalhadores da empresa.

No pântano: maioria chumba pedido de audição a Miguel Relvas sobre as alegadas pressões ao Público.


GRÉCIA:

Alexis Tsipras, líder do Syriza, está a viajar pela Europa em busca de fontes de apoio à Grécia. Não foi recebido por Hollande ou por Merkel, mas aproveitou para falar directamente com os alemães.


EUROPA:

Parlamento Europeu aprova taxas sobre transferências financeiras europeias (de fora ficaram o Reino Unido, Chipre, Malta e Suécia). Taxa é de 0,1% sobre acções e obrigações e de 0,01% sobre os derivativos e prevê-se que arrecade 60 mil milhões de euros. Está também a criar uma plataforma para controlar os investimentos chineses na UE.

Entretanto, o BCE está supostamente a trabalhar um plano para a saída grega do euro.


CANADÁ:

Quebec não desmobiliza. Manifestantes sobem a parada depois da passagem de lei que visava destruir a resistência dos estudantes contra o aumento de propinas. Mega-manifestação junta 250.000 pessoas.