É interessante ver como aquilo que é produzido pelos políticos para consumo interno não é a mesma conversa que depois se debita "lá fora". Num momento semelhante ao de Mario Draghi com o Wall Street Journal ("O modelo social europeu está morto!"), desta feita por Pedro Passos Coelho a confessar ao Die Welt, jornal alemão, que não acredita no regresso de Portugal aos mercados em 2013.
"Eu não sei se Portugal regressará aos mercados em Setembro de 2013 ou mais tarde. Naturalmente que eu quero isso mas, se por qualquer razão que não tenha a ver com a aplicação do programa, isso não funcionar, então o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia manterão a ajuda a Portugal. Já deram garantias disso."
Primeiro, para um político confessar que "não sabe" é o mesmo que confessar que sabe mas não quer ser o portador de más notícias. Segundo, o não regresso de Portugal aos mercados nada teria a ver com a aplicação do programa de austeridade que destrói a economia do país. Obviamente, as duas coisas não possuem qualquer relação entre si. Terceiro, a Troika está pronta com o próximo "resgate".
Também é recomendada uma espreitadela no Movimento Não Pagamos, que fez uma recolha das promessas desprometidas do Governo em relação aos subsídios.
sábado, 7 de abril de 2012
Notícias 7-4-2012: Mobilidade carcinogénica
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| Do projecto +- |
PORTUGAL:
Governo vai fechar centros de oncologia, explicando o motivo do reforço anunciado dos transportes de doentes. Está também a estudar novas reformas na Segurança Social de forma a assegurar a sua "sustentabilidade" (vamos fingir por um momento que não são dos grandes responsáveis por a destruir) com medidas em revisão como limites de descontos e subsequentes pensões para salários altos.
Em 2012 já se declararam insolventes 2700 pessoas.
Entidade Reguladora da Comunicação Social vai passar a monitorizar o pluralismo político da SIC e TVI, para além da monitorização que já fazia da RTP.
ITÁLIA:
Milhares de crianças estão a abandonar a escola nas zonas mais pobres do país e a juntar-se à força de trabalho. Crianças de 10 anos têm dias de trabalho de 10 horas para se conseguirem alimentar e às famílias.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Noticias 6-4-2012: Subsídios na neblina
PORTUGAL:
Suspensão de reformas antecipadas apenas é aplicada aos funcionários públicos que tenham ingressado na profissão após 1 de Janeiro de 2005, no novo regime geral da Segurança Social.
Cortes nos subsídios afinal só regressam por completo em 2017. O plano do Governo é que em 2015 estes sejam 20% e em 2016, 50% do valor total. Está também a ser estudada uma estrutura diferente para estes subsídios que, caso venham a ser distribuídos pelos salários do ano inteiro sem nenhuma compartimentação, irão aumentar a carga fiscal.
Apoios à deslocação de doentes com consultas e tratamentos repetidos que ganhem menos de 628,5€ por mês vão passar a ser asseguradas pelo Estado (actualmente esta cobertura apenas incluía alguns casos, como doentes de cancro).
Depois do chumbo do Tribunal Constitucional da proposta de criminalização do enriquecimento ilícito por esta colocar em causa o direito ao silêncio (por exemplo, caso um arguido não quisesse revelar certos aspectos da sua vida pessoal para provar a sua inocência), o PSD vai continuar a insistir no projecto, CDS de pé atrás.
Presidente do consórcio de Eólicas de Portugal critica as queixas sobre tarifas das eléctricas e greve da STCP está a ter uma baixa adesão.
GRÉCIA:
Vêm aí o terceiro "resgate" da Grécia, e desta vez é que vai ser mesmo o último...
EUROPA:
Zona euro a desacelerar no todo, mas França e Espanha a levantarem as maiores preocupações.
CHINA:
Aumento dos custos com a mão-de-obra está a dificultar o papel da China de exportador de baixo custo. Isto é algo para que o país já se têm vindo a preparar, no entanto, com a diversificação da sua indústria para sectores de alta tecnologia e renováveis...
Comentário: A estratégia do Desemprego
Hoje três excelentes artigos que valem a pena ler e ouvir sobre a estratégia do desemprego dos neoliberais e seus antepassados: as suas origens nas expropriações da revolução industrial, porque é desejado e uma das estratégias pela qual se procurará dividir para conquistar quem dele sofre.
O desemprego e a pobreza são escolhas. Escolhas feitas por parte das elites, de forma a manter a população num estado de desespero e subjugação. Isto é verdade desde os tempos da Revolução Industrial, onde muitos dos grandes pensadores da época já o discutiam e admitiam abertamente entre si. Aos seus olhos, a fome e pobreza eram bens desejados porque forçavam os camponeses que previamente viviam "preguiçosamente" da riqueza da terra a ir trabalhar para uma fábrica 16 horas por dia desde o 4 anos:
"Poverty is therefore a most necessary and indispensable ingredient in society, without which nations and communities could not exist in a state of civilization. It is the lot of man. It is the source of wealth, since without poverty, there could be no labour; there could be no riches, no refinement, no comfort, and no benefit to those who may be possessed of wealth."
A seguir temos audio de parte dum conjunto de conferências que decorreram em Itália sobre alternativas ao neoliberalismo e tirania dos bancos. Neste segmento de uma hora discutem-se muitas questões históricas e estruturais sobre os incentivos ao desemprego, entre outras questões. Altamente recomendado:
Finalmente, uma questão táctica de mais curto prazo: a tentativa neoliberal de transformar uma guerra entre ricos e pobres numa guerra entre novos e velhos. Esta táctica tem duas vantagens: um, desvia as atenções dos novos do seu verdadeiro inimigo para os meter a combater os seus próprios pais e avós e ajuda a quebrar os direitos de trabalho de que a geração mais velha ainda dispõe. O artigo lida com a realidade americana, mas o tipo de tácticas podem ser facilmente transplantas e já há algum tempo que são vistas em Portugal.
"To take another comparison, the lifetime accumulation of wealth of the typical household over age 65 would be approximately equal to what the CEO of Goldman Sachs earns in two days. A top hedge fund manager, who makes $3-4 billion a year, can pocket this much money in ten minutes. Yet, Esquire tells us that it is the high living retirees getting by on their $1,200 a month Social Security checks who are responsible for the questionable future facing the young."
O desemprego e a pobreza são escolhas. Escolhas feitas por parte das elites, de forma a manter a população num estado de desespero e subjugação. Isto é verdade desde os tempos da Revolução Industrial, onde muitos dos grandes pensadores da época já o discutiam e admitiam abertamente entre si. Aos seus olhos, a fome e pobreza eram bens desejados porque forçavam os camponeses que previamente viviam "preguiçosamente" da riqueza da terra a ir trabalhar para uma fábrica 16 horas por dia desde o 4 anos:
"Poverty is therefore a most necessary and indispensable ingredient in society, without which nations and communities could not exist in a state of civilization. It is the lot of man. It is the source of wealth, since without poverty, there could be no labour; there could be no riches, no refinement, no comfort, and no benefit to those who may be possessed of wealth."
A seguir temos audio de parte dum conjunto de conferências que decorreram em Itália sobre alternativas ao neoliberalismo e tirania dos bancos. Neste segmento de uma hora discutem-se muitas questões históricas e estruturais sobre os incentivos ao desemprego, entre outras questões. Altamente recomendado:
Finalmente, uma questão táctica de mais curto prazo: a tentativa neoliberal de transformar uma guerra entre ricos e pobres numa guerra entre novos e velhos. Esta táctica tem duas vantagens: um, desvia as atenções dos novos do seu verdadeiro inimigo para os meter a combater os seus próprios pais e avós e ajuda a quebrar os direitos de trabalho de que a geração mais velha ainda dispõe. O artigo lida com a realidade americana, mas o tipo de tácticas podem ser facilmente transplantas e já há algum tempo que são vistas em Portugal.
"To take another comparison, the lifetime accumulation of wealth of the typical household over age 65 would be approximately equal to what the CEO of Goldman Sachs earns in two days. A top hedge fund manager, who makes $3-4 billion a year, can pocket this much money in ten minutes. Yet, Esquire tells us that it is the high living retirees getting by on their $1,200 a month Social Security checks who are responsible for the questionable future facing the young."
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Notícias 5-4-2012: Troika oferece mais um cálice envenenado
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| Das ruas da Grécia |
PORTUGAL:
Depois de dar a receita do veneno da austeridade, o FMI comenta com estranheza o definhar do paciente com uma previsão de recessão profunda (que será resolvida com mais austeridade encapotada ou "reformas para estimular a actividade económica"). Isto resultará em mais desemprego, que segundo o FMI será resolvido com mais "flexibilidade laboral" (menos tempo de subsídio e direitos dos trabalhadores). FMI também quer mais flexibilidade (leia-se, privatizações e desregulação) noutros sectores, como a energia. Caso, mais uma vez, isto destrua a capacidade do Estado se financiar, o FMI tem umas "ajudas" preparadas e entretanto já disponibilizou 4 mil milhões para apoios aos bancos. Todo este programa revolucionário trará consigo algumas injustiças, mas a Troika também pensou nisso.
Entretanto, os nossos
A maternidade Alfredo da Costa pode vir a fechar até ao final do ano enquanto as concessões rodoviárias custaram 878 milhões em 2011.
Tudo isto e muito mais acumula-se para dar a Portugal o pior resultado na OCDE em termos de queda do PIB no último trimestre de 2011. Desde Janeiro houve 1600 insolvências de empresas, um aumento de 45% em comparação ao mesmo período de 2011.
ESPANHA:
Governo espanhol já está a gastar mais com os custos de desemprego do que aquilo que espera arrecadar com a austeridade.
GRÉCIA:
Revolta na Grécia depois dum homem de 70 anos se ter suicidado em frente ao Parlamento, recusando ser reduzido a um mendigo pela crise. Deixou uma letra onde acusa os partidos do poder de trair o país e o povo grego.
Entretanto, são cada vez mais os jovens que abandonam as cidades para regressar ao campo ao abrigo dum programa governamental que permite o cultivo de terrenos abandonados. O neo-feudalismo está bem e recomenda-se.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Notícias 3-4-2012: Cortes "temporários" para sempre
PORTUGAL:
Bruxelas faz pressão para desvalorizar ainda mais a mão de obra portuguesa, revelando intenções de cortar os subsídios de férias e Natal de forma permanente e uma ainda maior redução do período de subsídio de desemprego para 18 meses. O presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado declarou que se Governo vai acatar recados de Bruxelas, devia demitir-se.
Também saiu um relatório de recomendações mistas para o sistema de saúde, que variam entre obrigar médicos a prescrever por substância activa (supõe-se que para encorajar os genéricos) a pedir a redução da cobertura em Lisboa, não sendo claro se apenas se refere aos sistemas PPP ou de forma genérica.
EUROPA:
A zona euro continua a sua lenta marcha de morte, com quedas persistentes nos índices de produção e crescimento do desemprego em quase todos os países. As gerações mais novas são as que mais sofrem, com o desemprego para quem tem 25 ou menos em 50.5% em Espanha e 35.4% em Portugal. Em 12 meses perderam-se 33 mil postos de emprego jovens, totalizando 153 mil desempregados.
Entretanto, o impensável começa aos poucos a tornar-se inevitável, com espaço noticioso a ser cedido às alternativas à tecnocracia europeia, como a saída do euro.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Notícias 2-4-2012: Medalha de Bronze do desemprego para Portugal
Notícias hoje fora de horas. O CADPP esteve no Chiado a ajudar a defender a liberdade de expressão.
PORTUGAL:
Governo planeia espremer mais uns milhões dos cidadãos com cortes nos subsídios de doença. Mas calma, existe um aumento planeado de 5% para quem ganha menos de 500 euros e tem três filhos. E se não tiverem dinheiro para os medicamentos ou para o transporte para tratamento, nada de morrer só para receber o chorudo subsídio por morte, que também vai ser cortado.
Enquanto isso, o desemprego chega aos 15% em Fevereiro. Portugal é agora o terceiro país com mais desemprego na Europa a seguir à Grécia (21%) e Espanha (23.6%). O risco de despedimento colectivo também duplicou desde Fevereiro de 2011.
Em mais uma medida regressiva que visa prejudicar os transportes públicos e utilizadores, vai deixar de ser possível escolher entre Carris, Metro ou CP no passe. Passa a só ser possível comprar passe de todas as três, o que sai desnecessariamente caro a utilizadores que não necessitam reduz a procura às empresas de transporte público.
ESPANHA:
Bom comentário no MB sobre a insustentabilidade espanhola e a incompetência das elites europeias.
Alerta de Propaganda #8 e #9
A proibição do Banco Central Europeu em financiar directamente os países europeus ao serviço da obsessão alemã com a inflação e dos interesses usurários dos bancos significa que não existe nenhuma origem para a moeda usada pelos Estados excepto pelos "mercados". Quando acontece uma crise (que se torna inevitável, devido ao elevado custo do financiamento pelos mercados), deixa de haver recurso aos Estados nestas condições excepto convidar o vampiro a entrar em casa: o FMI e companhia.
Agora, conforme o falhanço espectacular do nosso país em voltar aos mercados em 2013 se torna realidade, com quase todos os índices económicos em estado zombie ou pior, vamos começar a ouvir comentários que procuram almofadar o óbvio antes deste acontecer:
"Está tudo sempre debaixo de análise e dependente da evolução de situações concretas nos mercados financeiros" mas "Não é do interesse de Portugal nem da zona euro falar agora num novo programa. Até porque isso significaria mais dívida para Portugal."
Ou seja, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, isso existem.
E preparando-se para o pior, a Europa continua a reforçar estruturas de financiamento que fazem o trabalho que o BCE devia estar a fazer:
"Por sua vez, a ministra das Finanças dinamarquesa, Margrethe Vestager, disse que este "é o momento para aumentar os recursos do FMI para que se chegue a um acordo global", tendo dito que se trata de um esforço do "intresse de todos os países".
E isto já é no seguimento da fusão dos mecanismos de resgate europeus num único fundo de 700 a 800 mil milhões de euros, ou seja, há uma clara noção de que é insuficiente e vontade de criar ainda mais barreiras contra a crise para além daquelas que a Alemanha considera serem suficientes.
As primeiras gotas duma nova tempestade europeia estão a cair-nos na testa.
Agora, conforme o falhanço espectacular do nosso país em voltar aos mercados em 2013 se torna realidade, com quase todos os índices económicos em estado zombie ou pior, vamos começar a ouvir comentários que procuram almofadar o óbvio antes deste acontecer:
"Está tudo sempre debaixo de análise e dependente da evolução de situações concretas nos mercados financeiros" mas "Não é do interesse de Portugal nem da zona euro falar agora num novo programa. Até porque isso significaria mais dívida para Portugal."
Ou seja, eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, isso existem.
E preparando-se para o pior, a Europa continua a reforçar estruturas de financiamento que fazem o trabalho que o BCE devia estar a fazer:
"Por sua vez, a ministra das Finanças dinamarquesa, Margrethe Vestager, disse que este "é o momento para aumentar os recursos do FMI para que se chegue a um acordo global", tendo dito que se trata de um esforço do "intresse de todos os países".
E isto já é no seguimento da fusão dos mecanismos de resgate europeus num único fundo de 700 a 800 mil milhões de euros, ou seja, há uma clara noção de que é insuficiente e vontade de criar ainda mais barreiras contra a crise para além daquelas que a Alemanha considera serem suficientes.
As primeiras gotas duma nova tempestade europeia estão a cair-nos na testa.
domingo, 1 de abril de 2012
Notícias 1-4-2012: Dia das (antes fossem) mentiras
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| Da autoria de Mr. Fish, do Truthdig |
PORTUGAL:
Novas regras do subsídio de desemprego entram hoje em vigor. Duma forma geral, este dura menos tempo mas também requer menos tempo para o acesso, numa aceitação implícita da precarização do emprego. Para "disciplinar" a força de trabalho, o CDS também apresentou uma proposta de alteração ao RSI, com provas anuais para os recipientes, trabalho barato para as freguesias e instituições (sai caro ser pobre) e proibições de possuir automóveis ou ser ex-presidiário para ser elegível. Mais uma vez, o partido cristão espanta toda a gente com a sua humanidade. Ao menos o PSD ainda distribuí umas sopinhas aos pobres, a ver se as estatísticas de sub-nutrição não pioram.
Enquanto isso, o Governo continua a dar provas da sua extraordinária competência: falha em reduzir a despesa pública (talvez porque já tenha cortado até ao osso), dívida explode e pagamento dos juros engole uma fatia cada vez maior do Orçamento.
Duas manifestações ontem, uma contra a extinção de freguesias com participação de 60.000 a 200.000 pessoas, conforme quem decidirmos acreditar. Também houve uma manifestação da Interjovem da CGTP que contou com algumas centenas de participantes. Sindicatos de funcionários públicos movem-se para exigir igualdade de condições nas progressões de carreira, uma vez que o Governo cedeu com os militares.
ALEMANHA:
Sindicatos das empresas públicas alemães conseguem subidas de 6.3% nos próximos dois anos.
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