sexta-feira, 8 de junho de 2012

Notícias 8-5-2012: Dia mal-parado, como o crédito





PORTUGAL:

Venda da Groundforce ao grupo Urbanos é aprovada.

A velha conversa da sustentabilidade sai em defesa do aumento do preço da água.

Proposta de reposição do IVA a 13% na restauração é chumbada.

Professores contratados a termo possuem recurso em tribunal pela invocação de regras europeias contra o abuso dos contratos a termo.

No pântano: "Maria Fernanda Vara Castor confirmou hoje perante o Tribunal do Barreiro que o ex-ministro do Ambiente José Sócrates se reuniu com um dos arguidos do "caso Freeport" entre o segundo chumbo da construção e a viabilização do "outlet"."


GRÉCIA:

Desemprego na Grécia por idade. Jovens gravemente afectados.


ESPANHA:

Rating cortado pela Fitch, a dois cortes de distância de ser "lixo".


EUROPA:

Ministros dos 27 firmam acordo para reposição de fronteiras nacionais em caso de pressões migratórias, à revelia do Parlamento Europeu.

Concentração de apoio ao povo grego


O Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa (CADPP) convoca para dia 17 de Junho – dia em que o povo grego vai às urnas - uma concentração no Rossio, das 16 às 18 horas, mostrando a “nossa convicção de que Portugal e a Grécia estão irmanados no mesmo tipo de problemas, no que diz respeito à política de austeridade e endividamento”.
“Consideramos que em Portugal, na Grécia, e de resto em toda a Europa, os problemas que afligem as populações têm raízes comuns – devem por isso ter soluções comuns e solidárias”.

Evento: http://www.facebook.com/events/249630855137365/

Portugal e Grécia – os mesmos problemas, a mesma luta, a mesma solução
No que diz respeito à política de austeridade e endividamento, entre a Grécia e Portugal não existe nenhuma diferença essencial. Podem os dois países encontrar-se em etapas diferentes na sua queda às profundezas da miséria e do inferno social – a aplicação das políticas de austeridade e endividamento não foi iniciada e aplicada ao mesmo ritmo em todos os países europeus –, mas tanto a causa como a natureza dessas políticas são as mesmas em toda a parte. A solução é necessariamente a mesma, em toda a Europa:
  • Revogação das medidas de austeridade para os trabalhadores;
  • Revogação das medidas de fragilização e precarização do trabalho;
  • Suspensão do pagamento da dívida, a par de uma auditoria cidadã e independente;
  • Nacionalização ou socialização da banca e dos sectores e recursos colectivos estratégicos (energia, água, etc);
  • Alteração da política fiscal, tornando-a mais justa, equitativa e redistributiva;
  • Reposição plena das funções do Estado social.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Notícias 7-6-2012: Pão e circo (mais circo que pão)




PORTUGAL:

Lista mais completa de medidas do programa "Impulso Jovem" que cria alguns milhares de estágios temporários e mal remunerados e dá descontos fiscais a empresas que criem trabalho precário.

Na luta: Trabalhadores da CP paralisam de novo os comboios em protesto contra o desrespeito da empresa pelos acordos firmados.


ESPANHA:

2 mil milhões em dívida é colocada no mercado mas aos juros mais altos do ano (6,121% a 10 anos).


GRÉCIA:

É exigido 116,25€ aos pobres mesmo que não tenham nada a declarar porque se assume que 3000€ é o valor mínimo com que se consegue sobreviver.


FRANÇA:

Taxas de juro da dívida francesa descem.


EUROPA:

Continuam as declarações públicas sobre a necessidade duma união política e fiscal europeia enquanto se decidem os termos do resgate à Espanha (se será directamente dos bancos ou com um programa à FMI para o país todo, situação que Rajoy quer evitar).


CHINA:

Taxas de juro do banco central descem pela primeira vez desde 2008 de 6.65% para 6.31% para enfrentar o abrandamento económico.

Hoje: Reunião aberta do CADPP

Para falarmos da dívida pública e suas consequências na contracção de emprego.

Ver aqui mais detalhes.

Notícias 6-5-2012: Migalhas em estágios, milhões em "irregularidades"

Não encontrei uma foto interessante, fica antes aqui um cozido à portuguesa


















PORTUGAL:

Portugal teve a segunda maior quebra de PIB no primeiro trimestre (2.2%) a seguir à Grécia.

Governo cria 2500 estágios na Administração Pública e irá baixar a TSU em 90% até um máximo de 175 euros para empresas que contratem jovens desempregados como parte do programa "Impulso", porque aparentemente ainda não temos precariedade e estágios da treta que cheguem.

Tribunal de Contas detecta 41 mil milhões de euros em irregularidades na execução orçamental, destacando-se “a autorização, pelo governo, da abertura de créditos especiais com contrapartida em passivos financeiros que, por constituírem receita não efectiva, careciam de autorização da Assembleia da República”.

Portugal é dos países desenvolvidos (usando o termo de forma generosa) onde o ensino superior mais pesa sobre o orçamento das famílias: "1934,83 euros no ano lectivo de 2010/2011, o que representa 22% da mediana do rendimento português."

Começam por cá também as sondagens sobre ir ou sair do euro, sendo que 72% responderam querer permanecer.

Pingo Doce volta aos descontos de 50%, desta vez com pretensões patrióticas.

Na luta: Médicos do SNS em greve a 11 e 12 de Julho por decisão da Ordem, SIM e FNM em defesa da Saúde, depois das notícias da criação dum concurso para serviços médicos por parte do Ministério da Saúde.

No pântano: Conselho de Redacção do Público foi reeleito depois de se demitir.
Portugal é dos países com menos combate à corrupção, com taxas de condenação de apenas 5%.


ESPANHA:

Rajoy quer o Fundo de Estabilidade a financiar as necessidades de recapitalização dos bancos para o salvar da ignomínia de ter de pedir um resgate, depois da subida dos juros da dívida indicarem que Espanha está agora isolada dos mercados internacionais. Necessidades realistas de capital da Espanha devem rondar os 370 a 450 mil milhões de euros.


FRANÇA:

Reforma aos 60 para trabalhadores com 41 anos de descontos é restaurada.


EUROPA:

Draghi, presidente do BCE, recusa-se a baixar taxas de juro abaixo dos 1%, diz que a crise do euro necessita duma solução política.

A dialéctica da crise da dívida soberana e a federalização forçada da Europa

Novo artigo no CADPP.org da autoria de João Jordão:


"Muitos comentadores políticos e económicos especulam sobre a potencial saída da Grécia do Euro, ou até sobre a eventual dissolução da Zona Euro. Porém, o discurso dos líderes dos países mais poderosos, assim como as figuras mais influentes da União Europeia e do Banco Central Europeu, revelam um eixo central que toma o formato de uma proposta única: a crise da divida soberana só poderá ser resolvida por uma maior centralização de poder na Europa através de maior integração financeira e económica (nomeadamente através da introdução de Eurobonds) e através da abdicação parcial da soberania e por fim, a federalização da Europa."

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Sair do euro ou não?

No CADPP.org:

"Existem já bastantes tomadas de posição acerca do tema – umas simplesmente acaloradas, outras bem fundamentadas, seja do ponto de vista económico, seja do ponto de vista político. Tentaremos dar aqui uma panorâmica sumária dos principais argumentos expostos de ambos os lados, transcrevendo uma série mínima de textos de alguns autores."

Notícias 5-6-2012: Empobrecimento estratégico

De Banksy


















PORTUGAL:

Governo prepara pacote de medidas de 344 milhões de euros para apoiar 89 mil jovens desempregados. Segundo Miguel Relvas, "o programa irá incidir sobre três eixos principais: estágios profissionais, apoios à contratação e apoios às empresas" - ou seja, tudo aponta para subsídios governamentais ao trabalho precário.

Finanças passam a acompanhar a PSP nas operações STOP para confiscar carros caso existam dívidas fiscais.

Maioria dos estudantes universitários vêm de estratos sociais favorecidos, sendo que o acesso é barrado aos pobres por óbvios motivos económicos.

Bastonário da Ordem dos Médicos critica o ministro da Saúde como sendo obcecado com cortar o orçamento, ignorando as consequências para os portugueses.

Centros de resíduos perigosos com falta de procura - acusam o governo de os regular mais intensamente do que à competição e de permitir despejos ilegais de material perigoso.

Bananização da República: Isabel dos Santos compra mais um naco da Zon (2.82%), reforçando a sua posição de maior accionista.

No pântano: Tribunal manda destruir escutas a Armando Vara e Sócrates.
Nuno Vasconcelos, presidente da Ongoing, quer o seu caso separado do das secretas.


GRÉCIA:

Syriza apresentou o seu programa: suspensão da dívida, aumento dos salários, fim da troika, nacionalização dos bancos, fim das privatizações, fim dos compromissos e envolvimento com a NATO.


ESTADOS UNIDOS:

Contracção dos gastos federais poderá estar por detrás da recente quebra económica "surpresa".


INTERNACIONAL:

Crédito mundial a contrair devido à situação europeia.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Alerta de Propaganda #20

A "avaliação" da troika permitiu-nos mais uma ocasião de teatro por parte dos marretas do costume, onde tentam convencer-nos que cima é baixo, molhado é seco e que alguém neste governo sabe o que está a fazer.

"Pedro Passos Coelho afirmou que, "no âmbito deste quarto exame regular" ao cumprimento do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal, "ficou de se encontrar oportunamente um mecanismo que possa responder especificamente a alguns segmentos de desemprego".

Segundo o primeiro-ministro, esse "mecanismo" é necessário "enquanto as medidas estruturais não produzem efeitos sobre o crescimento e enquanto a própria atividade económica não oferece maiores oportunidades de emprego"."

Ou seja, não é a troika e o governo que estão a destruir a economia e o emprego... é porque todo o bom trabalho que fizeram ainda não teve tempo de dar frutos. Ao mesmo tempo, admite-se a intervenção estatal para criação de emprego. Não era só o abençoado sector privado era capaz de criar emprego? Entretanto, a troika também tem algo a dizer.

"É urgente fazer mais para melhorar o funcionamento do mercado laboral. Isto inclui reformas institucionais que deem maior flexibilidade às empresas para ajustar os custos laborais à produtividade."

Ou seja, não só estão a fazer um excelente trabalho (cujos resultados positivos estão sempre aí "ao virar da esquina") como ainda precisam de destruir mais direitos dos trabalhadores - a tal flexibilidade. A dívida, infelizmente, ainda não se sentiu muito tocada por estes esforços, como diz Gaspar:

"As nossas previsões actuais estão em linha com o objectivo para o défice orçamental em 2013 [3 por cento do PIB]. A dívida pública deverá atingir um máximo de 118% do PIB em 2013, e reduzir-se-á continuadamente anos seguintes"

Portanto, mais uma esquina a virar e a nossa economia devastada irá prontamente começar a pagar a dívida.

De esquina em esquina, até à vitória final.


Notícias 4-6-2012: Mais dinheiro atirado para a fornalha




PORTUGAL:

Gaspar anuncia a recapitalização da CGD, BPI e BCP ao som de 6.6 mil milhões de euros, 5 dos quais oriundos da linha de crédito da UE para os bancos. Mas não se preocupe quem acha que mais dinheiro oferecido aos bancos significa maior supervisão, já que o presidente do BCP, Nuno Amado, já veio dizer que o banco manterá "total autonomia".

Jornalista envolvida no caso Relvas demite-se por discordar da forma como o jornal lidou com o caso.

Jornalista do i ataca as credenciais de António Borges com rara ferocidade nos media, depois das declarações em que este diz que os salários em Portugal são altos demais.

47 mil pessoas voltaram ao RSI em 2011, uma subida de 17.9% em relação a 2010. No final de Março existiam 329.274 beneficiários desta ajuda.

Sindicatos da Groundforce unem-se para protestar e exigir uma resposta à demora na venda ao grupo Urbanos.


GRÉCIA:

Syriza aumenta a vantagem na corrida final. A partir daqui as sondagens são proibidas. O resto é com os gregos.


IRLANDA:

Apesar de alguns meses recentes melhores, a economia permanece num estado de estagnação, com o desemprego nos 14.5%.


ESTADOS UNIDOS:

A recuperação continua anémica, com baixa taxa de crescimento e criação de emprego.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Notícias 2&3-6-2012: Edição dupla atrasada

Do cartoonista Rainer Hachfeld



















O editor andou a vadiar pelo que só hoje há jornal com os acontecimentos do fim-de-semana.


PORTUGAL:

Até as profissões que eram "seguras" no passado estão a ser precarizadas, nomeadamente os médicos.

Em mais uma demonstração de falta de proporcionalidade perante ricos e pobres, a Segurança Social obriga 233 funcionários a devolver quantias pagas em excesso (por erro da própria Segurança Social) na ordem de dezenas a centenas de euros. O dinheiro do BPN, já terá sido devolvido?

2769 pedidos de insolvência de empresas desde o início do ano, 48% mais em comparação com o mesmo período do ano passado.

Prejuízos das empresas do Estado continuam a agravar-se, a consequência inevitável de quantias insustentáveis de dívidas.

Bananização da República: Empresa mineira Rio Tinto a caminho de Moncorvo para explorar reservas de ferro.

De-bananização da República: Partidos da oposição na Madeira (do Bloco ao CDS) unem-se num pacto comum para restaurar o poder da Assembleia e fazer frente ao PSD-Madeira.

No pântano: A recém formada Comissão de Recrutamento e Selecção da Administração Pública é mais uma em que o presidente irá receber salário de Primeiro-Ministro, com os três vogais a receberem quase o mesmo, para além de outras mordomias.


EUROPA:

Rumores circulam de que um "grande plano" está a ser concebido para redesenhar a estrutura da zona euro com o objectivo de conseguir uma maior integração de forma a resolver a crise. Considerando os suspeitos do costume à frente do projecto, é de temer o pior...

Os sinais da produção europeia continuam péssimos e o desemprego na zona euro está num recorde de 11% (números oficiais, que pecam sempre por defeito) que indicam 17.4 milhões de desempregados.


ESPANHA:

Começam a soar as palavras doces sobre um possível resgate, que afinal não será assim tão impossível nem assim tão mau como isso...


GRÉCIA:

Prisioneiros a passar fome porque prisões estão sem comida depois de cortes no orçamento. Por agora a população está a ajudar a mantê-los alimentados.


CHIPRE:

Mais um dominó europeu que cai e se prepara para um pedido de ajuda à UE para recapitalizar a banca ao som de 1800 milhões de euros.


BRASIL:

Admissão de que as expectativas de crescimento vão ser menores, com o objectivo de 4% a ser posto de parte.