sábado, 26 de maio de 2012

Notícias 26-5-2012: A corda estica mais um bocado

De Mr. Fish


PORTUGAL:

Instituições de solidariedade alimentar dizem ter chegado aos limites físicos da mão de obra disponível para ajudar quem precisa.

200.000 famílias em esforço crítico para pagar dívidas (especialmente entre os mais pobres), quando o cancelamento destas dívidas nem sequer teria impacto relevante na banca (13% dos 40% de famílias endividadas).

Bombeiros de Lisboa deixam de transportar doentes não urgentes devido a insuficiência económica.

Centros de emprego, ao abrigo da medida Estímulo 2012 (em que as empresas apenas precisam de pagar metade do salário durante seis meses, sendo o restante coberto pelo Estado), estão a oferecer trabalho a licenciados altamente qualificados por 500€.

A luta: Sargentos marcam concentrações de desagrado a 5 de Junho em todo o país devido ao governo "não demonstrar respeito por quem serve a República" e para protestar medidas como a redução do suplemento de morte (que é agora de apenas 419€).

No pântano: Comadres zangam-se, Pinto Balsemão vai processar alguém por ter sido espiado às ordens de Silva Carvalho.

Vereador das Finanças do Funchal vai passar a dividir o seu tempo entre o gabinete público e o privado na administração do grupo Sá. A porta giratória está cada vez mais versátil.


ESPANHA:

Catalunha está em vias de pedir também ajuda.


EUROPA:

Novo plano que reformula a abordagem a bancos falhados está a ser preparada pela UE para inícios de Junho, embora os detalhes ainda sejam escassos. Supostamente, os reguladores irão ganhar o poder de eliminar depósitos e dívidas sem garantias, substituir as chefias e reestruturar os bens do banco.

A auditoria cidadã à dívida no centro da luta de classes grega e internacional

Por Sonia Mitralias



(...) Se bem que a sequência dos acontecimentos seja imprevisível, uma coisa agora é certa: a questão da auditoria independente à dívida grega paira sobre os acontecimentos em torno da luta de classes na Grécia, traçando uma linha de demarcação entre aqueles que são a favor e os que são contra as políticas de austeridade e entre aqueles são a favor e os que são contra o cumprimento dos vários compromissos assumidos entre a Troika, o FMI e os responsáveis pelo Estado grego. Não é por acaso que as formações de direita e de extrema direita, que partilham a rejeição dos planos de austeridade (mesmo os neonazis!), se declaram favoráveis à auditoria cidadã, chegando mesmo a falar de dívida ilegítima e odiosa ou a citar longamente o CADTM e Eric Toussaint!

Esta situação pode ser compreendida se tivermos em conta que, de acordo com uma sondagem feita no Verão passado, mais de 3 milhões de gregos (cerca de 30% da população grega) não só são favoráveis à auditoria cidadã à dívida pública, como dizem partilhar a «filosofia» e os objectivos da Campanha para a Realização de uma Comissão de Auditoria!

(...) Infelizmente, este estímulo não foi aproveitado pela campanha de auditoria e perdeu-se uma grande oportunidade de levar a cabo uma iniciativa exemplar de auto-organização e mobilização da população. Houve um movimento de refluxo e as consequências para a campanha de auditoria foram muito negativas. Sem os voluntários «anónimos» que poderiam ajudar a contornar problemas (por exemplo, voluntários que trabalhavam em ministérios que não só sabiam dos «negócios» em primeira mão, como também poderiam procurar documentos para assacar responsabilidades), a auditoria grega foi forçada a retrair-se sem nunca poder honrar as suas promessas iniciais.

Para nós, a lição a tirar da experiência grega é muito clara: se se quiser cumprir a missão libertadora de pôr em movimento a população auto-organizada, a auditoria cidadã à dívida não pode ser um assunto para especialistas nem limitar-se a um controlo de topo (na verdade, praticamente impossível) da dívida pública. Ela tem, desde início, de associar a população ao seu trabalho, incentivando as pessoas a porem em prática as suas próprias auditorias, ou seja, a «abrirem os livros» nos locais onde habitam e trabalham, comunicam e vivem. (...)

Excertos do texto integral aqui: http://cadpp.org/node/306

Manifestação de solidariedade com a Grécia


Sindicalistas concentrados frente às Finanças depois de tentarem invadir ministério
Por Beatriz Silva com Lusa, publicado em 25 Maio 2012 - 17:48
Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa marca manifestação no dia em que a Grécia vai às urnas
(...) As medidas de austeridade associadas à crise económica e financeira têm levando milhares de pessoas à rua para manifestarem o seu desagrado. Na Grécia, vários confrontos têm marcado a capital do país, levando muitos ao suicídio. Aliás, à medida que as eleições legislativas gregas se aproximam e aumenta a possibilidade de ser eleito um governo de esquerda, é natural que assistamos à intensificação de ataques violentos por parte dos poderes públicos e das organizações de extrema-direita.
Por essa razão, o Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa (CADPP) tem agendado para dia 17 de Junho – dia em que o povo grego vai às urnas - uma manifestação, mostrando a “nossa convicção de que Portugal e a Grécia estão irmanados no mesmo tipo de problemas, no que diz respeito à política de austeridade e endividamento”, lê-se num comunicado.
“Consideramos que em Portugal, na Grécia, e de resto em toda a Europa, os problemas que afligem as populações têm raízes comuns – devem por isso ter soluções comuns e solidárias”.
Texto-manifesto aqui: Portugal e Grécia – os mesmos problemas, a mesma luta, a mesma solução

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Notícias 25-5-2012: Pequenas vitórias, maiores batalhas a vir



















PORTUGAL:

Troika pede mais flexibilidade salarial para resolver o desemprego...

Mais detalhes sobre as ideias do PSD para ajudar quem não consegue pagar o empréstimo da casa.

Administração do Metro do Porto demite-se, alegando indecisão quanto ao futuro da empresa por parte do governo.

Os produtores que alimentam o Pingo Doce já estão a ser pressionados para pagar a factura das promoções extravagantes, com tentativas de aumentar margens de lucro entre 2 a 3.5% por parte da cadeia de supermercados.

A luta: Sindicalistas da Frente Comum reuniram-se em frente ao Ministério das Finanças (que ainda tentaram invadir) em protesto contra o corte de direitos e subsídios e pela reabertura das negociações. É feita uma menção ao protesto do CADPP em solidariedade com a Grécia (dia 17 de Junho).
Entretanto,  espera-se que trabalhadores de câmaras municipais que tiveram de devolver valorizações salariais de promoções de 2009 e 2010 ganhem os processos em tribunal, como já sucedeu em alguns casos.
O Tribunal Administrativo e Fiscal declarou inconstitucional a interrupção da contagem de tempo de serviço que impediu a progressão de carreira dos professores.
CP continua em greve para fazer valer o pagamento do trabalho em dias de descanso e feriados por inteiro.

Bananização da República: Termina a aquisição de 40% da REN por companhias chinesas e omãs. Na segunda metade do ano passado, Portugal foi o terceiro país da UE com maior aumento do custo da electricidade (12.9%).

No pântano: Público revela a narrativa completa das pressões de Miguel Relvas ao jornal e adjunto do ministro demite-se depois de terem sido descobertos contactos via telemóvel entre este e Jorge Silva Carvalho.
As recentes fugas de nomes para a imprensa de personalidades envolvidas na Operação Monte Branco são apontadas pelos investigadores como uma forma de avisar os visados para destruírem provas.


ESPANHA:

É confirmado um pedido de ajuda estatal de 19 mil milhões de euros por parte do Bankia e a S&P corta-lhe o rating (e a outros dois bancos).


ALEMANHA:

Alemanha prepara plano de seis pontos para os países da zona euro em dificuldades que envolve transformar essas nações em pequenas repúblicas das bananas, fazendo-as imitar o sistema laboral alemão "flexível", aumentando as privatizações, mercantilizando ainda mais o ensino e adoptando um sistema de impostos à paraíso fiscal.


EUROPA:

Os indicadores de compras de bens e serviços da indústria europeia continuam a cair de cabeça, incluindo os da Alemanha (se bem que mais lentamente), espelhando o término das medidas de curto prazo de apoio à economia e a continuação do impasse político. Agarrem-se bem.

Na Grécia, o povo é quem mais ordena


Carta aberta aos Presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional

Nas eleições de 6 de Maio o povo grego exprimiu democraticamente a sua vontade, manifestando a sua oposição às condições impostas pelo programa de assistência financeira. Essas condições lançaram os gregos no desespero e na miséria. Pela sua brutalidade, as medidas do programa estão a dilacerar a sociedade grega, provocando rupturas incompatíveis com uma recuperação social e económica que salvaguardem padrões de vida aceitáveis para a dignidade de todo o povo.

Dracma ou euro? (1)



Costas Lapavitsas é um dos economistas que defende a saída da Grécia da união monetária europeia. Um debate que promete tornar-se crucial nos próximos tempos.

O melhor para a Grécia é sair do euro
por Costas Lapavitsas

A política grega encontra-se dividida em dois campos na próxima disputa eleitoral. Um é liderado pelo partido de direita Nova Democracia, o outro pela coligação de esquerda Syriza. Ambos insistem em que a Grécia deve permanecer na euro-zona; mas a Nova Democracia aceita o programa de resgate financeiro, ao passo que o Syriza o rejeita. No entanto a dura realidade impõe-se por si mesma. Se a Grécia permanecer na euro-zona, sofrerá uma morte lenta. Se sair, passará por uma crise, mas em compensação terá oportunidade de recuperar e reorganizar a sua sociedade.

Ler continuação aqui: http://cadpp.org/node/301

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Notícias 24-5-2012: A recuperação está aí à esquina...





PORTUGAL:

"Daqui a alguns meses" a economia vai recuperar, supostamente, depois dos números do último boletim de execução orçamental revelarem novo agravar das contas, diminuição da receita e agravar da despesa.

Preço da água vai ser normalizado em todo o país. Preço-alvo é 2.5€ a 3€ por metro cúbico.

A Orquestra Metropolitana de Lisboa dá um concerto público em protesto contra o despedimento de sete dos seus músicos - todos eles dirigentes sindicais e membros da comissão de trabalhadores.

PSD junta-se ao coro da reestruturação da dívida das famílias "a dação em pagamento da casa (entrega da casa e assim liquidar as dívidas), a possibilidade da entrega da casa a um Fundo de Investimento, ficando o devedor com o arrendamento e direito de recompra da casa ou troca de casas com o banco ficando a família com uma casa de menor valor."

Bananização da República: CGD Saúde está à venda, abrindo o caminho para a criação dum duopólio no sector privado da saúde entre o grupo Mello e Espírito Santo.

No pântano: juntam-se novos nomes ao processo de branqueamento de capitais da empresa Akoya.


ESPANHA:

Regiões autónomas vão precisar de 36 mil milhões para refinanciarem a dívida (o número anterior era 8), revelam novos dados.


GRÉCIA:

Presidente do Banco Central acha que o caminho de salvação da Grécia não passa pela Europa mas pelas... privatizações.


EUROPA:

Eurodeputados aprovam plano de combate ao desemprego jovem, verba futura poderá ser de 82 mil milhões.


CANADÁ:

700 detenções nos protestos no Quebec.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Bluff e chantagem

  

Verificamos em poucos dias uma viragem dos poderosos da Europa, já arrepiam caminho e aí vem o Hollande «negar planos de contingência para a eventual saída da Grécia do euro» e aí vem a Lagarde «defender que a União Europeia prolongue a ajuda financeira à Grécia, mesmo que os gregos optem por rejeitar o memorando, nas próximas legislativas de 17 de Junho».

Afinal, a falsa questão da saída da Grécia da zona euro era mesmo só bluff, uma chantagem populista para amedrontar os eleitores gregos e virar a opinião pública contra a Grécia. Recuperar a soberania e rejeitar o programa de austeridade da Troika não implicam abandonar a moeda única nem a ruína da Europa.

Assim, dão razão a Alexis Tsipras do Syriza quando afirma: «Votar na Coligação da Esquerda Radical é salvar a moeda única. Insistir na austeridade na Grécia significa regressar ao dracma.»

Mas já inventam um outro papão: o geuro. O Deutsche Bank «propôs hoje a introdução de uma moeda paralela ao euro na Grécia, caso os adversários das medidas de austeridade ganhem as eleições...»

Comentário: Vice-presidente da ONU chama os bois pelos nomes

Jean Ziegler, numa tirada incomum nos seus corredores do poder, falou com força e honestidade sobre os problemas que o mundo enfrenta:

"Vivimos en un orden mundial criminal y caníbal, donde las pequeñas oligarquías del capital financiero deciden de forma legal quién va a morir de hambre y quién no. Por tanto, estos especuladores financieros deben ser juzgados y condenados, reeditando una especie de Tribunal de Núremberg"

De facto, o que é que diferencia um assassino em massa que mata com especulação daquele que o faz com um exército? Entre palavras de apoio aos movimentos sociais globais, também deixou estas palavras sobre a instituição desdentada em que a ONU se transformou:

"Sin embargo, “los mercenarios han pervertido su papel y destruido su credibilidad moral”. Entre ellos, no duda en señalar al exsecretario general Ban Ki-moon o al presidente del consejo de selección de los relatores, el hondureño Roberto Flores, “quien apoyó el golpe de Estado en su país en 2009”."

 

Portugal e Grécia – os mesmos problemas, a mesma luta, a mesma solução

Notícias 23-5-2012: Terreno a ser preparado

Protestos no Quebec continuam em força.

























PORTUGAL:

Número de casais em que ambos estão desempregados atinge máximos históricos (5.1%, 15.754 pessoas).

Governo procura negociar corte de 30% nos pagamentos às ex-SCUT, resultando na poupança de 4 mil milhões de euros. Encargos com PPPs subiram 324 milhões no primeiro trimestre deste ano em comparação com o ano passado.

EDP quer reduzir 35 milhões em custos laborais ainda este ano, o que significa despedimentos e redução salarial para os trabalhadores da empresa.

No pântano: maioria chumba pedido de audição a Miguel Relvas sobre as alegadas pressões ao Público.


GRÉCIA:

Alexis Tsipras, líder do Syriza, está a viajar pela Europa em busca de fontes de apoio à Grécia. Não foi recebido por Hollande ou por Merkel, mas aproveitou para falar directamente com os alemães.


EUROPA:

Parlamento Europeu aprova taxas sobre transferências financeiras europeias (de fora ficaram o Reino Unido, Chipre, Malta e Suécia). Taxa é de 0,1% sobre acções e obrigações e de 0,01% sobre os derivativos e prevê-se que arrecade 60 mil milhões de euros. Está também a criar uma plataforma para controlar os investimentos chineses na UE.

Entretanto, o BCE está supostamente a trabalhar um plano para a saída grega do euro.


CANADÁ:

Quebec não desmobiliza. Manifestantes sobem a parada depois da passagem de lei que visava destruir a resistência dos estudantes contra o aumento de propinas. Mega-manifestação junta 250.000 pessoas.

Façamos uma, duas, três, muitas Grécias!...

Discurso de Sonia Mitralias pronunciado em Frankfurt na grande manifestação anticapitalista de 19 de Maio de 2012



«Camaradas,
Eu venho da Grécia, um país destruído e desesperado, um país em ruínas mas que continua de pé. Desta Grécia que resiste e que acaba de dizer um enorme e magnífico NÃO aos seus torturadores: a Troika (FMI, Comissão Europeia e BCE) e aos vossos Merkel e Schaüble, aos Barroso, Sarkozy e aos banqueiros. Em suma, àqueles que nos impõem políticas desumanas e bárbaras. Estes políticos provocam a subnutrição das crianças e mesmo a fome nas grandes cidades gregas. E tudo isto onde? Não em qualquer parte do Terceiro Mundo, mas aqui o coração da rica Europa. E quando? No momento histórico em que, como nunca antes, a humanidade mais riquezas produz.»

Ler o resto aqui: http://www.cadpp.org/node/297

terça-feira, 22 de maio de 2012

Notícias 22-5-2012: Será possível vender a Madeira aos chineses?

Greve na Educação em Espanha. Via 20minutos















PORTUGAL:

Agarrem-se bem! A OCDE recomenda mais uma ronda de austeridade para Portugal para cumprir as metas da troika, enquanto identifica que o fosso entre ricos e pobres continua a aumentar: "20% da população mais rica ganha seis vezes mais do que os 20% mais pobres" e que outros factores como a educação continuam muito atrasados em relação à média "em Portugal, 30 por cento (%) dos adultos com idades entre 25-64 têm o ensino secundário completo, muito abaixo da média da OCDE que se situa nos 74%".
A quarta avaliação da troika começa quarta.

Crédito a contrair para empresas (4.9%) e ao consumo (7.8%) no primeiro trimestre.

Necessidade de dinheiro e bens por parte da família é o motivo provável pelo aumento do número de processos de interdição nos tribunais que subiu de 636 para 1594 entre 2000 a 2010. Estes processos visam passar o património de idosos para controlo da restante família.

João Jardim prefere abandonar a UE a abandonar o offshore da Madeira, sugerindo um estatuto especial para a ilha não ter de obedecer às regulações europeias de paraísos fiscais. Entretanto, processo judicial italiano consegue identificar e recuperar 67 milhões de euros de actividades ilegais escondidos nos offshores madeirenses.

Dívidas da Parque Escolar comprometem a abertura de 70 escolas no próximo ano lectivo.

Bananização da República: chineses e outras duas entidades, provavelmente portuguesas, são os únicos interessados restantes no processo de venda do Pavilhão Atlântico. De notar que o Pavilhão dá lucros que rondam os 7 milhões ao ano, mas será vendido por 15 a 20 milhões. A comissão de trabalhadores acusa o Estado de agravar a situação de endividamento e desperdício da carteira de contratos.

No pântano: Alan Perkins, administrador do Freeport, diz que foi informado dum pagamento de 200 mil euros a Sócrates para este viabilizar licença ambiental.


EUROPA:

Banco Central Europeu está a injectar 100 mil milhões de euros no sistema financeiro grego às escondidas, para contrariar a hemorragia de depósitos para o centro da Europa, especialmente para a Alemanha, que pode causar uma saída da Grécia do Euro, quer queiram, quer não.

Entretanto, Deutsche Bank propõe mais uma medida "nem carne, nem peixe" para a Grécia: uma moeda paralela ao euro que permita a desvalorização monetária sem sair do euro.


ESPANHA:

Primeira greve geral da Educação, do pré-primário ao universitário.

Economia paralela em crescimento enquanto o desemprego oficial continua em descalabro.


ALEMANHA:

O Occupy Frankfurt já voltou ao terreno depois da expulsão policial motivada pelo evento Blockupy. Autoridades desejam que acampamento se retire a 31 de Julho.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Alerta de Propaganda #19

Um pouco por todo o lado repetem-se as ameaças à Grécia: que deve votar assim, que deve pagar assado, numa estratégia concertada de meter medo aos gregos do Apocalipse do não-pagamento da dívida extorsionária.

Desta vez até os outros parvos extorquidos pela dívida se juntaram à festa, com o Gasparzinho e o seu homólogo irlandês a darem um ar de sua graça:

"Os ministros das Finanças Vítor Gaspar e Michael Noonan disseram na reunião que "é inaceitável” que Lisboa e Dublin façam grandes esforços para cumprir as indicações da União Europeia para sanearem os respetivos orçamentos, enquanto a Grécia "quebra sistematicamente" as promessas de reformas, revelou o semanário alemão."

Coitadinhos de Gaspar e Noonan. Eles não desistem do seu dever, ao contrário dos gregos! O dever de destruir as economias de Portugal e Irlanda ao serviço dos credores e matar o seu povo à fome e miséria.

"Juncker disse ainda, segundo o Der Spiegel, que a repetição das legislativas na Grécia, a 17 de junho, "é a derradeira oportunidade" para Atenas. Se não resultar das referidas eleições a formação de um governo que cumpra as condições da União Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI, "será o fim", terá advertido o primeiro-ministro luxemburguês."

Mais ameaças aos gregos: ou votam num governo de serviçais e lambe-botas ao estilo Passos Coelho ou é tudo corrido do euro e União Europeia. Lembremo-nos que tal era impossível, impensável e inimaginável apenas há alguns meses atrás... mas agora a dívida grega foi purgada do resto do sistema europeu e se a Grécia sair, já não é problema da Alemanha ou do sistema bancário.

"Na mesma reunião do eurogrupo, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, sugeriu um referendo sobre a permanência da Grécia no euro, a realizar paralelamente às legislativas, sustenta ainda o der Spiegel."

Mas quando Papandreou, o ex-primeiro ministro, sugeriu um referendo semelhante, não era coisa de loucos? Não teve de ser retirado? Mas lá está, não veio no momento "certo". Como já vem sendo habitual nesta UE de oligarcas e tecnocratas, a democracia é só para as ocasiões... e mesmo assim, só quando o voto "certo" está assegurado.

Mas os gregos já nada têm a perder. E quem nada tem a perder, nada teme.



Notícias 21-5-2012: Os maus ventos agravam-se

Deutsche Bank barricado. "O Estado protege os criminosos!"



















PORTUGAL:

Adeptos da Académica aproveitam a final da Taça para protestar as políticas do governo.

IRS, IRC e IVA portugueses estão todos acima da taxa média europeia. Associações de Restauração avisam que o sector está a ser destruído pela subida do IVA para 23% (quinto mais alto na UE) e que não consegue competir com a Espanha a 8%.

Preço do curso para futuros juízes duplica.

Entretanto, no pântano: Paulo Fernandes, patrão da Cofina e Morais Pires, do Banco Espírito Santo, estão na lista de clientes de Michel Canals, ex-gestor da UBS que foi constituído arguido no processo de lavagem de dinheiros que rebentou sexta-feira.


EUROPA:

Alemanha rejeita a proposta francesa no G8 de criação de eurobonds, continua a bater na tecla da austeridade. O resto do mundo começa a perder a paciência com a Alemanha, com a recuperação anémica da crise de 2008 a ser ameaçada pelo caos europeu.

Sector da construção em crescimento na UE, mas em queda no Sul. A grande beneficiada, como de costume, é a Alemanha.


IRLANDA:

Partido anti-austeridade Sinn Féin já está em segundo lugar nas intenções de voto.


ESPANHA:

Valor do montante a ser enterrado no Bankia (por agora) é de 7500 milhões de euros.


ESTADOS UNIDOS:

Continuam os protestos à cimeira da NATO em Chicago, onde de tudo um pouco está a ser usado para desmobilizar os manifestantes, desde a habitual marretada até à falsificação de provas.

Entretanto, as medidas de estabilização da economia estão a começar a perder o efeito e os indicadores habituais que antecedem uma recessão indicam que o país vai voltar a entrar em quebra económica. Em conjunto com os problemas da zona euro, a tempestade está de novo a ganhar alento.

domingo, 20 de maio de 2012

Notícias 20-5-2012: América do Norte em protesto

Estudantes em protesto no Quebec. Via The Star

















PORTUGAL:

Ocupação no Porto do antigo quartel dos Bombeiros Voluntários Portuenses, abandonado há alguns anos. Depois dos bombeiros fazerem um pedido para que os ocupas abandonassem o local, estes desocuparam.

46 comboios foram suprimidos devido à greve dos revisores da CP, que exigem o pagamento do trabalho suplementar em dia de descanso e feriado, pagamento esse que o governo não está a respeitar.


CANADÁ:

Continuam os protestos estudantis no Quebec contra as propinas, que encontram formas criativas de dar a volta às novas medidas tomadas pelo governo para quebrar as manifestações, obrigando a que revelem os itinerários e que não se possa cobrir a cara.


ESTADOS UNIDOS:

Em Chicago, alguns milhares de manifestantes estão a tomar acção contra a cimeira da NATO.

sábado, 19 de maio de 2012

Notícias 19-5-2012: Solidariedade no centro




PORTUGAL:

Gastos com salários e pensões dos funcionários públicos vão ser centralizados nas Finanças.

Associação de Transparência e Integridade diz que o governo não está a cumprir os seus compromissos como parte da Convenção de Mérida de reforçar as protecções na lei a pessoas que revelem crimes. Há vários casos em que estes sofrem represálias judiciais.

Provedor de Justiça critica o secretismo e morosidade do Banco de Portugal em revelar informações sobre a banca nacional.

Novas Oportunidades não criaram mais emprego, segundo estudo recente do actual governo (o que quer dizer que há que levar quaisquer conclusões com umas quantas sacas de sal).


ALEMANHA:

Dezenas de milhares de pessoas protestam em Frankfurt contra as políticas de austeridade, em solidariedade com o resto da Europa. Polícia responde com detenções em massa e paralisação do sistema de transportes.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Notícias 18-5-2012: Mega-agrupamentos, mega-roubalheiras

Assembleia popular do Occupy




















PORTUGAL:

Mais mega-agrupamentos de escolas para o ano, 115 no total, para cortar nos custos administrativos.

Desempregados poderão acumular salário futuro com metade do subsídio de desemprego, desde que o valor do salário seja inferior ao do subsídio. Medida só abrange quem está inscrito há mais de 6 meses no centro de emprego. Isto significa cerca de 50.000 pessoas.
Governo continua a recusar aumentos dos salário mínimo.
Provedoria de Justiça recebe inúmeras queixas relacionadas com o corte e alterações de regras dos subsídios de desemprego, RSI e outros apoios.

Governo vai dar maiores poderes de regulação à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos para supostamente manter a competitividade no sector eléctrico liberalizado.

No pântano: rede de branqueamento de dinheiros e evasão fiscal foi desmantelada, envolvendo Duarte Lima e quantias de mil milhões de euros.
Miguel Relvas faz ameaças ao Público e uma das suas jornalistas para que o jornal censurasse uma certa notícia.


GRÉCIA:

Fitch corta o rating a 5 bancos gregos. Há rumores de que Merkel sugeriu ao governo grego a realização de um referendo sobre a estadia no euro. Chancelaria nega.

Syriza diz que, caso forme governo, se a UE cortar o financiamento, Grécia suspende o pagamento da dívida.