O polvo-vampiro: Vítor Gaspar torce o nariz ao projecto (mesmo assim muito limitado) de ajuda às famílias endividadas porque custaria 9 mil milhões, o que deixaria a banca muito triste.
Na luta: Transtejo em greve hoje e a 18 contra recusa da administração em negociar acordo da empresa e pela inclusão dos subsídios no ordenado.
ESPANHA & ITÁLIA:
Dados do resgate de 100 mil milhões começam a ser conhecidos: "O juro para o Estado espanhol andará entre os 3% e os 4% e os bancos
pagarão 8,5%. (...) O empréstimo será por 15 anos e terá um
período de carência de cinco."
Anúncio do partido Nova Democracia (principal competidor com o Syriza) a usar tácticas baratas para assustar os gregos (para ligar legendas, usar botão CC)
PORTUGAL:
Governo obriga universidades a provar empregabilidade para aumentarem vagas. Devem usar como referência os números da Direção-Geral de Estatística e
Ciência, que registam o número de desempregados por curso inscritos nos
centros de emprego.
Em face do resultado expectável das eleições, as cúpulas da Europa recuam - já aceitam renegociar, a pretexto do falso argumento «para que Atenas não abandone a moeda única» - mas impõem já condições: continuar a austeridade. Ou seja, mais ou menos do mesmo ;)
Apesar dos fracos resultados do Euro, Portugal ainda continua a ser dos melhores em alguns campos: desemprego oficial nos 15.2% em Abril, segundo pior da OCDE. Número de inscritos nos centros de emprego subiu 20% em relação ao ano passado, jovens com formação são os mais afectados. Entretanto, o programa de fachada para emprego jovem "Impulso" já tem boy designado.
O povo grego volta a ir às urnas para escolher os deputados ao parlamento e consequentemente novo governo. Uma grande parte dos votantes já demonstrou nas últimas eleições (que têm de ser repetidas dia 17 próximo) que pretende um corte radical com as políticas praticadas até agora, que está contra as medidas de austeridade, o Memorando da Troika e o pagamento da dívida – não só a dívida ilegítima, mas também a dívida odiosa, que tem servido os interesses da finança privada e a compra de armas a empresas alemãs e francesas – e que pretende fazer parte da Europa, sim, mas de uma outra Europa, gerida por princípios democráticos e igualitários.
O resultado das eleições terá efeitos em toda a Europa, muito particularmente em Portugal. Se o Syriza vencer, abrem-se novas perspectivas para uma luta crescente no nosso país. Se for a vitória dos partidos da Troika, esperam-nos novas e mais gravosas medidas de empobrecimento.
Durante a concentração de dia 17 no Rossio esperamos não só poder seguir no Rossio de Lisboa as eleições gregas, mas também alimentar o debate público sobre a questão da dívida nos países periféricos europeus e a situação na Grécia, que tem sido alvo de enormes campanhas de desinformação.
O Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa (CADPP) convoca para dia 17 de Junho – dia em que o povo grego vai às urnas - uma concentração no Rossio, das 16 às 18 horas, mostrando a “nossa convicção de que Portugal e a Grécia estão irmanados no mesmo tipo de problemas, no que diz respeito à política de austeridade e endividamento”.
“Consideramos que em Portugal, na Grécia, e de resto em toda a Europa, os problemas que afligem as populações têm raízes comuns – devem por isso ter soluções comuns e solidárias”.
No que diz respeito à política de austeridade e endividamento, entre a Grécia e Portugal não existe nenhuma diferença essencial. Podem os dois países encontrar-se em etapas diferentes na sua queda às profundezas da miséria e do inferno social – a aplicação das políticas de austeridade e endividamento não foi iniciada e aplicada ao mesmo ritmo em todos os países europeus –, mas tanto a causa como a natureza dessas políticas são as mesmas em toda a parte. A solução é necessariamente a mesma, em toda a Europa:
Revogação das medidas de austeridade para os trabalhadores;
Revogação das medidas de fragilização e precarização do trabalho;
Suspensão do pagamento da dívida, a par de uma auditoria cidadã e independente;
Nacionalização ou socialização da banca e dos sectores e recursos colectivos estratégicos (energia, água, etc);
Alteração da política fiscal, tornando-a mais justa, equitativa e redistributiva;
Tribunal de Contas detecta 41 mil milhões de euros em irregularidades na execução orçamental, destacando-se “a autorização, pelo governo, da abertura de créditos especiais com
contrapartida em passivos financeiros que, por constituírem receita não
efectiva, careciam de autorização da Assembleia da República”.
Portugal é dos países desenvolvidos (usando o termo de forma generosa) onde o ensino superior mais pesa sobre o orçamento das famílias: "1934,83 euros no ano lectivo de 2010/2011, o que representa 22% da mediana do rendimento português."
Na luta: Médicos do SNS em greve a 11 e 12 de Julho por decisão da Ordem, SIM e FNM em defesa da Saúde, depois das notícias da criação dum concurso para serviços médicos por parte do Ministério da Saúde.
Rajoy quer o Fundo de Estabilidade a financiar as necessidades de recapitalização dos bancos para o salvar da ignomínia de ter de pedir um resgate, depois da subida dos juros da dívida indicarem que Espanha está agora isolada dos mercados internacionais. Necessidades realistas de capital da Espanha devem rondar os 370 a 450 mil milhões de euros.
FRANÇA:
Reforma aos 60 para trabalhadores com 41 anos de descontos é restaurada.
Centros de resíduos perigosos com falta de procura - acusam o governo de os regular mais intensamente do que à competição e de permitir despejos ilegais de material perigoso.
Bananização da República: Isabel dos Santos compra mais um naco da Zon (2.82%), reforçando a sua posição de maior accionista.
Syriza apresentou o seu programa: suspensão da dívida, aumento dos salários, fim da troika, nacionalização dos bancos, fim das privatizações, fim dos compromissos e envolvimento com a NATO.
A "avaliação" da troika permitiu-nos mais uma ocasião de teatro por parte dos marretas do costume, onde tentam convencer-nos que cima é baixo, molhado é seco e que alguém neste governo sabe o que está a fazer.
Ou seja, não é a troika e o governo que estão a destruir a economia e o emprego... é porque todo o bom trabalho que fizeram ainda não teve tempo de dar frutos. Ao mesmo tempo, admite-se a intervenção estatal para criação de emprego. Não era só o abençoado sector privado era capaz de criar emprego? Entretanto, a troika também tem algo a dizer.
Ou seja, não só estão a fazer um excelente trabalho (cujos resultados positivos estão sempre aí "ao virar da esquina") como ainda precisam de destruir mais direitos dos trabalhadores - a tal flexibilidade. A dívida, infelizmente, ainda não se sentiu muito tocada por estes esforços, como diz Gaspar:
Jornalista do i ataca as credenciais de António Borges com rara ferocidade nos media, depois das declarações em que este diz que os salários em Portugal são altos demais.
47 mil pessoas voltaram ao RSI em 2011, uma subida de 17.9% em relação a 2010. No final de Março existiam 329.274 beneficiários desta ajuda.