segunda-feira, 16 de abril de 2012

Notícias 16-4-2012: Ovos azedos

Via Street Art Activist
























PORTUGAL:

Confederações de encarregados de educação (CONFAP e CNIPE) manifestam-se contra o aumento dos alunos por turma.
Enviar exames para revisão passa a ser mais caro em 10 euros, para um total de 25.

Galinhas de produtores de ovos que não vivam em gaiolas melhoradas a partir de Julho terão de ser abatidas (3 milhões de animais). Isto tornaria Portugal num importador de ovos ao invés de exportador (de países que por sua vez não têm de seguir tais normas) e significaria um aumento dos preços. Embora a melhoria da condições dos animais seja importante, é extremamente difícil aos produtores fazerem-no quando os mercados funcionam numa lógica de corrida para o fundo (ou seja, o primeiro produtor a instalar as novas gaiolas e aumentar o preço fica imediatamente em desvantagem com todos os outros que não o fizeram - o incentivo é para adiar a mudança até ao último momento possível).

Isenções nas antigas SCUT em zonas de rendimentos mais baixos vão acabar a 30 de Junho.
Gás natural do sector regulado vai aumentar quase 7%, o que é justificado com a subida do preço do petróleo.


EUROPA:

O NYT aborda a vaga de suicídios económicos que está a avassalar os países europeus em dificuldades.

Estruturas europeias incapazes de criar uma agência de rating europeia que faça um contra-balanço às três grandes agências americanas. O sector privado demonstrou pouco interesse no assunto e a burocracia europeia baixou os braços (porque como sabemos, só o mercado livre faz coisas bem feitas).


ESPANHA e ITÁLIA:

Juros das obrigações a dez anos sobem novamente para os dois países. O artigo diz que os mercados se estão a mostrar insensíveis à austeridade, mas é precisamente o contrário - os mercados não são parvos e sabem perfeitamente a destruição que a austeridade vai causar e daí aumentarem os custos.

Em Barcelona, está a escalar uma corrida às armas das forças de repressão. Ao contrário dos despedimentos em todos os outros sectores como saúde e educação, a polícia e forças de segurança estão a abrir milhares de vagas, a receber novos poderes, a tornarem-se mais opacas e a serem apetrechadas com novos equipamentos.


GRÉCIA:

Herança cultural grega está a ser devastada pela austeridade. Cortes nas instituições patrimoniais desencadearam uma onda de roubos.


FRANÇA:

Sarkozy já é, segundo a última sondagem, o Presidente francês mais impopular de sempre. Sarkozy tem-se desdobrado em retóricas de menor denominador comum a ver se alguma coisa cola mas nada parece funcionar. De qualquer forma, algumas das promessas de Hollande também são preocupantes, como reduzir a zero o défice até 2017, o que para quem presta atenção às lições da crise mundial, soa a algo tão pateta como dizer que em 2017 Hollande será o primeiro homem em Marte.

2 comentários:

  1. Sobre as galinhas: Compreendo que os tempos de crise atingem todos, mas: a directiva foi publicada há anos e todos (portugueses e de outros países) sabiam quando era a data da entrada em vigor. Ainda que fosse para negociar alguma alteração ao que estava previsto, deveria ter sido feita qualquer coisa antes. Deixar andar até passar o prazo e assobiar para o lado a ver se ninguém dá conta é coisa de crianças. Acho que a crise não pode ser usada como desculpa para este comportamento que vejo em Portugal há décadas (mesmo quando havia dinheiro) quando se fala em questões de ambiente ou bem estar animal.

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    1. Olá Helena, certamente que estamos de acordo que algo já devia ter sido feito, mas como disse o problema está na lógica do mercado. Os produtores nacionais competem com produtores estrangeiros (inclusive de fora da União) e muitos provavelmente não têm margem de manobra económica para fazer a mudança sem que a competição do vizinho menos escrupuloso do lado os arruíne. Daí adiarem até ao último momento. Neste caso, provavelmente até teria sido melhor um prazo curto em vez de anos - assim todos eram forçados a fazer a mudança ao mesmo tempo e se houvessem aumentos seriam partilhados em todo o mercado. O que vai acontecer agora, com o possível abate de 3 milhões de animais e a destruição de mais uma produção nacional, é uma emenda pior que o soneto.

      Cumprimentos.

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