Hoje não há notícias de relevo, mas fomos brindados com outro corajoso acto de lealdade ao povo português da parte de Passos Coelho, que foi mais uma vez fazer queixinhas à imprensa internacional, desta vez na brasileira Veja.
"Os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos. Usámos mal o dinheiro, seleccionámos mal os projetos de obras públicas, aumentámos os impostos, não abrimos a economia. Os líderes europeus não agravaram os nossos problemas, pelo contrário, ajudaram-nos"
De quem está Passos Coelho a falar? Usar mal o dinheiro será uma menção à destruição da produção de Cavaco? Os projectos de obras públicas mal escolhidos, serão as estradas de Cavaco e Sócrates? Quando fala em aumentos de impostos, está a falar de si próprio? E abrir a economia, para que? Para ficarmos ainda mais expostos à globalização destruidora da produção nacional? E que ajuda europeia foi essa? Os empréstimos usurários e a imposição de austeridade que agravaram o problema da dívida?
Ou será assim uma culpa muito genérica, que talvez encaixe na rubrica "a dívida é de todos"?
"Passos Coelho confirmou ao semanário que levará adiante o programa de privatizações, citando os setores de energia, transportes, aeroportos, além dos correios e um canal de televisão como os próximos da lista."
Aqui Passos revela o seu verdadeiro papel: vendedor de bugigangas dos bens portugueses, qual Oliveira da Figueira do séc. XXI, a promover a privatização do seu país junto dos vários interessados.
"Os portugueses sentem que o Estado não foi um bom gestor de empresas. Os cidadãos também sabem que precisamos atrair dinheiro externo para movimentar a nossa economia", declarou."
O Estado não foi um bom gestor de empresas porque o Estado que temos tido TRABALHA para as empresas. Ficaria muito mal aos grandes grupos privados que o PS e PSD de facto fossem competentes na gestão pública porque depois como é que se empurrava as pessoas para o "ou-pagas-ou-te-lixas" do privado?
"Teremos de corrigir a rede assistencialista de tal modo que aqueles que realmente precisam de ajuda social possam recebê-la, sem abusos", concluiu."
E aqui temos uma facada cobarde final. O Governo desdobra-se em esforços para obrigar quem precisa do RSI ou subsídio de desemprego a fazer o pino para os receber, apenas para poupar umas dezenas de milhões de euros. Enquanto isso, se a banca precisa duma "ajuda social", as torneiras dos milhares de milhões são imediatamente abertas.
E Passos é suposto ser nosso representante?

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