Hoje há duas notícias que me chamaram a atenção:
"(...) Christine Lagarde, afirmou hoje que o mundo escapou ao "abismo financeiro", mas frisou que o sistema financeiro mundial tem ainda fraquezas que ameaçam a saída da crise. (...) A crise financeira global, pelo menos, serviu como "um catalisador enorme" para levar os líderes políticos a tomar medidas impopulares, mas que contribuem para a recuperação da saúde económica, considerou Lagarde."
É importante aprender a ler por entre as linhas nas declarações dos abutres da crise. Quando Lagarde afirma que se escapou ao "abismo financeiro", ela não está a falar de nós, os Zés e Marias. Ela está a falar das elites globais que criaram a crise em primeiro lugar. Isso é cimentado pela segunda parte da declaração, de que são precisas medidas impopulares para a "recuperação da saúde económica". Mas se são impopulares, são contra o interesse do povo. E se não servem o povo, a alguém hão-de servir...
"O Banco Central Europeu (BCE) prevê que a recessão em Portugal chegará aos 3%, este ano (...) não exclui a possibilidade de uma contracção de 5%, tal como consta do boletim mensal. (...) O BCE admite ainda que Portugal, a partir de 2017, pode registar um crescimento de 3% por ano.".
Aqui vemos um velho bombo da festa: a salvação está já ao virar da esquina, se aguentarmos mais um bocadinho. Foi precisamente o que foi repetido vezes sem conta no caso da Grécia e a santa recuperação ainda está por se manifestar por esses lados. O objectivo deste tipo de notícias é levar as pessoas à complacência. Se nenhuma das condições que levou à crise foi corrigida, como é que Portugal vai magicamente crescer em 2017? Como?
Se algum destes responsáveis políticos fosse uma criança, podíamos dizer que ainda estão na fase do pensamento mágico, mas como não são, só se pode tirar a conclusão de serem mentirosos patológicos.

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