Dados mais robustos sobre a insuficiência dos mecanismos existentes para resgatar de forma consequente a Espanha e (ainda mais impossível) a Itália. Basicamente, não há dinheiro que chegue no FEEF e o MEF ainda não foi ratificado por todos os países, enquanto as fontes de empréstimos à Europa estão cada vez mais reticentes.
PARAGUAI:
Presidente Fernando Lugo é destituído pelo Senado, num episódio a fazer lembrar as velhas maroscas dos amigos do Norte.
Doenças mentais agravam-se com a crise, meios para lidar com o problema são insuficientes. Urgências recebem menos pacientes (-9,8% em Abril em comparação com mesmo período em 2011).
Diferença salarial entre homens e mulheres agrava-se com a crise (mais 3,6% entre 2008 e 2010). Estará aí parte da explicação para o desemprego estar a crescer mais rapidamente entre os homens?
No pântano: Miguel Relvas ilibado pela ERC. "Raquel Alexandra garantiu que não se sente "minimamente condicionada
pelo facto de ser amiga do ministro" e assegurou que não iria pedir
escusa da votação". "Não vejo nenhuma razão para não exprimir uma
opinião. Todas as semanas se adotam deliberações que afetam amigos. É a
coisa mais normal", disse na semana passada a vogal da ERC ao CM."
O alívio é geral entre os de cima que nos governam e nos fazem passar fome. O euro safa-se, os mercados respiram, a senhora Merkel exulta e a Internacional dita “Socialista” dos Papandreou e Hollande felicita-se com a “derrota” destes empecilhos chamados Tsipras & Co. E então, acabou-se o pesadelo de ver as cobaias gregas revoltar-se e ocupar o “laboratório Grécia”? A resposta é um Não categórico. O pesadelo promete continuar e tudo indica que o novo governo grego será frágil e fraco, minado por contradições internas, pela crise que não controla e, sobretudo, pela resistência crescente do povo grego...
No dia das eleições gregas de 17/6/2012, o CADPP esteve no Rossio com outras organizações para apoiar a democracia e soberania do povo grego contra as pressões das forças da austeridade.
O polvo-vampiro: Vítor Gaspar torce o nariz ao projecto (mesmo assim muito limitado) de ajuda às famílias endividadas porque custaria 9 mil milhões, o que deixaria a banca muito triste.
Na luta: Transtejo em greve hoje e a 18 contra recusa da administração em negociar acordo da empresa e pela inclusão dos subsídios no ordenado.
ESPANHA & ITÁLIA:
Dados do resgate de 100 mil milhões começam a ser conhecidos: "O juro para o Estado espanhol andará entre os 3% e os 4% e os bancos
pagarão 8,5%. (...) O empréstimo será por 15 anos e terá um
período de carência de cinco."
Anúncio do partido Nova Democracia (principal competidor com o Syriza) a usar tácticas baratas para assustar os gregos (para ligar legendas, usar botão CC)
PORTUGAL:
Governo obriga universidades a provar empregabilidade para aumentarem vagas. Devem usar como referência os números da Direção-Geral de Estatística e
Ciência, que registam o número de desempregados por curso inscritos nos
centros de emprego.
Em face do resultado expectável das eleições, as cúpulas da Europa recuam - já aceitam renegociar, a pretexto do falso argumento «para que Atenas não abandone a moeda única» - mas impõem já condições: continuar a austeridade. Ou seja, mais ou menos do mesmo ;)
Apesar dos fracos resultados do Euro, Portugal ainda continua a ser dos melhores em alguns campos: desemprego oficial nos 15.2% em Abril, segundo pior da OCDE. Número de inscritos nos centros de emprego subiu 20% em relação ao ano passado, jovens com formação são os mais afectados. Entretanto, o programa de fachada para emprego jovem "Impulso" já tem boy designado.
O povo grego volta a ir às urnas para escolher os deputados ao parlamento e consequentemente novo governo. Uma grande parte dos votantes já demonstrou nas últimas eleições (que têm de ser repetidas dia 17 próximo) que pretende um corte radical com as políticas praticadas até agora, que está contra as medidas de austeridade, o Memorando da Troika e o pagamento da dívida – não só a dívida ilegítima, mas também a dívida odiosa, que tem servido os interesses da finança privada e a compra de armas a empresas alemãs e francesas – e que pretende fazer parte da Europa, sim, mas de uma outra Europa, gerida por princípios democráticos e igualitários.
O resultado das eleições terá efeitos em toda a Europa, muito particularmente em Portugal. Se o Syriza vencer, abrem-se novas perspectivas para uma luta crescente no nosso país. Se for a vitória dos partidos da Troika, esperam-nos novas e mais gravosas medidas de empobrecimento.
Durante a concentração de dia 17 no Rossio esperamos não só poder seguir no Rossio de Lisboa as eleições gregas, mas também alimentar o debate público sobre a questão da dívida nos países periféricos europeus e a situação na Grécia, que tem sido alvo de enormes campanhas de desinformação.
O Comité para a Anulação da Dívida Pública Portuguesa (CADPP) convoca para dia 17 de Junho – dia em que o povo grego vai às urnas - uma concentração no Rossio, das 16 às 18 horas, mostrando a “nossa convicção de que Portugal e a Grécia estão irmanados no mesmo tipo de problemas, no que diz respeito à política de austeridade e endividamento”.
“Consideramos que em Portugal, na Grécia, e de resto em toda a Europa, os problemas que afligem as populações têm raízes comuns – devem por isso ter soluções comuns e solidárias”.
No que diz respeito à política de austeridade e endividamento, entre a Grécia e Portugal não existe nenhuma diferença essencial. Podem os dois países encontrar-se em etapas diferentes na sua queda às profundezas da miséria e do inferno social – a aplicação das políticas de austeridade e endividamento não foi iniciada e aplicada ao mesmo ritmo em todos os países europeus –, mas tanto a causa como a natureza dessas políticas são as mesmas em toda a parte. A solução é necessariamente a mesma, em toda a Europa:
Revogação das medidas de austeridade para os trabalhadores;
Revogação das medidas de fragilização e precarização do trabalho;
Suspensão do pagamento da dívida, a par de uma auditoria cidadã e independente;
Nacionalização ou socialização da banca e dos sectores e recursos colectivos estratégicos (energia, água, etc);
Alteração da política fiscal, tornando-a mais justa, equitativa e redistributiva;