quarta-feira, 16 de maio de 2012

Bora lá renascer das cinzas gregas?

Após muitas horas de reunião, os dirigentes partidários da Grécia chegaram ontem a um acordo: não é possível fazer um acordo para formar governo. Isto significa novas eleições, provavelmente a 17 de Junho.

Entretanto, as videntes, cartomantes e sondadores de serviço continuam a expandir as suas angústias divinatórias. Aqui está o resultado de uma sondagem efectuada pelo departamento de estatística da Universidade de Economia e Gestão de Atenas:















Trocado por miúdos (entre parêntesis os resultados de 6 de Maio):
Syriza: 31,9% (16,8)
New Democracy: 13,8% (18,8)

Independent Greeks: 12.8% (10,6)

Pasok: 8,7% (13,2)

Communist Party: 6,8% (8,5)

Golden Dawn: 5,8% (7)

Democratic Left: 5,5% (6,1)

Recreate Greece: 3,5% (2,2)

Ecogreens: 3,4% (2,9)

Popular Orthodox Rally (Laos): 3% (2,9)

Drasi: 2,5%

Democratic Alliance: 1,2% (2,6)

Anticapitalist Left (Antarsya): 0,6% (1,2)

Social Pact: 0,4% 


Deve ser por causa desta previsão vitoriosa da esquerda que subitamente 700 milhões de euros foram levantados das contas dos bancos na Grécia. Devem estar agora debaixo de um colchão qualquer. Mas os banqueiros já vieram dizer que não, qual quê, não há perigo nenhum de pânico nem de corrida às contas. Está tudo bem. Tanto mais que o Estado grego e as entidades reguladoras da UE acabam de abrir mão de mais 680 milhões de euros, para ajudar um banco grego (a CGD lá do sítio) a comprar outro banco grego, o TBank, que em Dezembro passado foi liquidado e os seus bens passados para as mãos do Estado, que agora oferece dinheiro ao banco do Estado para comprar esses bens... desculpem, perdi-me.

O medo assanha a violência da campanha mediática contra o Syriza

Vários activistas gregos, entre os quais Yorgos Mitralias, estão a enviar mensagens pedindo uma expressão urgente de solidariedade com o Syriza e o povo grego - motivo: a campanha mediática de agressão e contra-informação está a atingir um nível assustador. É fácil ver que, perante a recusa do Syriza em abandonar as propostas de suspensão da dívida, anulação das medidas de austeridade, e nacionalização da banca, muito em breve se passará da agressividade mediática para o sangue vivo. Não esqueçamos que o sr. Wolgang Schäuble já em Fevereiro tinha pedido a suspensão da democracia grega (aqui e aqui). Cada qual pede a suspensão que mais lhe convém.

A prata da casa anda um pouco apagada

Numa situação de conflito político extremo como a que se vive na Grécia, qualquer pequenina manifestação de solidariedade internacional é preciosa. Por isso apelamos aos activistas e movimentos sociais portugueses para que manifestem urgentemente a sua solidariedade.

Até à data, tanto quanto sabemos, não existe neste torrão de terra nenhuma iniciativa partidária, sindical, de movimentos sociais ou individual nesse sentido. Por isso sugerimos que quem quiser use a prata da casa espanhola ou inglesa para subscrever o apoio ao povo grego e às propostas do Syriza. Por exemplo:
Llamamiento en apoyo de la izquierda griega
Austeridad es una palabra que, como tantas otras, hemos recibido los europeos del tesoro de la lengua griega. También es una palabra que, como tantas otras, ha sido retorcida y desviada hasta llegar servir como ariete ideológico para políticas contradictorias con sus mejores posibilidades de sentido (pensemos lo que ha sucedido con democracia – también una palabra griega). Hoy austeridad, para la mayoría de la gente, no remite – como podría hacerlo – a una vida humana sobria dentro de una economía reconciliada con la naturaleza, sino a la destrucción de los servicios públicos y al empobrecimiento de los ciudadanos y ciudadanas de nuestros países. Estas sañudas agresiones se perpetran para que pueda seguir manteniéndose la dominación del capital financiero sobre el resto de la sociedad. Otras políticas son posibles – pero la plutocracia nihilista que gobierna el mundo hace lo posible y lo imposible para cegar esas vías. En Grecia, estos días, no se están decidiendo asuntos sólo griegos. Allí Syriza es la fuerza política que encarna aquellas vías mejores, comenzando por la ineludible exigencia de discriminar entre deudas legítimas y deudas odiosas. Syriza y Alexis Tsipras, sometidos hoy a una brutal presión para que renieguen de sí mismos, necesitan el apoyo de los pueblos europeos que no renuncien a perspectivas de igualdad, sustentabilidad y emancipación. Amigos, amigas: construyamos una solidaridad europea activa.
Esta carta, escrita por Jorge Riechmann (prof. titular de Filosofia Moral, Departamento de Filosofia UAM, Madrid), depois de devidamente assinada pode ser enviada para a comunicação social e para a caixa de contacto do Syriza, info (at) syriza.gr

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